Opinião
Morre o papa!
Dom José Carlos Melo * Choramos de saudades a partida do sumo pontífice, nosso querido papa João Paulo II, pastor zeloso da Santa Mãe Igreja. O dia 02 de abril será marcado em nossa memória, porque este papa marcou nossas vidas, como verdadeiro dom de Deus à Igreja e ao mundo. O papado é uma instituição religiosa que abrange longa e ininterrupta séries de papas ou bispos de Roma, responsáveis pela chefia suprema da Igreja Católica, Apostólica, Romana. Das organizações do tempo do Império Romano, a Igreja foi a única que se mantém até nossos dias. Lino sucede a Pedro, Cleto sucede a Lino e Clemente I a Cleto... Até João Paulo II foram 262 papas. João Paulo II é oriundo de cidade de Wadowice na Polônia, nasceu no dia 18 de maio do ano de 1920. Eleito em 16 de outubro de 1978 para suceder a João Paulo I. Foi o primeiro papa não italiano em 456 anos. A escolha de um cardeal estrangeiro, oriundo, além disso da Europa oriental, foi vista como início de um novo tempo. O cardeal Karol Wojtyla iniciou seu pontificado consagrando-se à Virgem Maria e adotando como lema do seu pontificado estas expressivas palavras: Totus tuus (Todo teu). Filho de um suboficial do exército Polonês, ficou órfão de mãe aos nove anos e de pai aos 22. Foi operário de uma fábrica de produtos químicos, preparando-se clandestinamente para o sacerdócio. Após sua ordenação, doutorou-se em Filosofia e Moral na Pontifícia Universidade em Roma e em Teologia na Universidade de Cracóvia. Foi vigário e capelão dos universitários, professor de Moral em Lublin e Cracóvia ( 1964) e foi elevado ao cardinalato pelo então papa Paulo VI ( 1967). O papa fez inúmeras viagens mundo afora, inclusive ao nosso país que visitou por três vezes, incluindo a nossa querida Maceió que o recebeu de braços abertos naquela memorável tarde de sábado. Por onde passou, foi carinhosamente saudado como João de Deus. Em seu Pontificado encontrou-se com a juventude do mundo inteiro, a mesma que em sinal de solidariedade ao seu sofrimento passou a noite cantando e rezando abaixo da janela dos seus aposentos no Palácio Apostólico. Por um turco Ali Agca foi ferido mortalmente em 1981, porém foi muito maior sua vontade de viver e a providência divina sabia que sua hora não teria chegado, pois sua missão era muito maior do que uma simples bala de revólver. Ao iniciar seu Pontificado, conclama o mundo católico a não ter medo; medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; medo daqueles que se rotulam de poderosos deste mundo quando o maior de todos é Deus. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió