Opinião
João Paulo II
Lysette Lyra * Estava em Buenos Aires quando Perón caiu. Na Casa Rosada, residência dos presidentes argentinos, foi organizada uma exposição de todos os objetos pertencentes ao ex-ditador e sua falecida esposa, Evita Perón. Um tal acontecimento despertou enorme interesse entre os cidadãos, formando-se enormes alas de curiosos para conhecer os pertences do famoso casal, cuja vida perdulária era muitíssimo comentada nos bastidores da sociedade, sofrida, da Argentina. Não resisti, também, ao desejo de ver de perto, tão badaladas relíquias, mas para isso tive que agüentar por quatro horas, de pé, uma interminável fila. O que presenciei em riquezas como jóias fabulosas, obras de arte magníficas e acessórios luxuosíssimos pertencentes à Evita, uma quantidade de carros e motos que era presenteada as Chicas preferidas do ditador, deixaram-me tão abismada que resolvi enfrentar mais quatro horas de renque, para ver tudo novamente. Isto foi apenas um ato de curiosidade diante do imponderável, mas não me cansei! Posso bem imaginar o que é ficar 18 horas para ter a satisfação de prestar a última homenagem a um papa que dedicou sua vida à humanidade, que nem mesmo debilitado deixou de levar sua mensagem de paz e de esperança! Durante minha vida presenciei, através dos meios de comunicação, as exéquias de cinco papas: Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, e, agora, João Paulo II, mas nenhum dos outros recebeu as manifestações populares que vimos, pela televisão, prestadas a esse último pontífice! São milhões de peregrinos, vindos de todos os rincões da terra, para prestar seu tributo a esse vigário de Cristo que, em vez de ficar aquartelado no Vaticano, saiu numa missão de amor a todos os seres dos cinco continentes, sem se importar com a raça ou a religião, olhando-os com a bondade de seu coração. Procurando corrigir as injustiças, ajudando-os na busca da liberdade e das conquistas sociais. Procurou falar oito línguas, para poder entender melhor seus adeptos. Seu carisma conquistou a todos que tiveram a felicidade de conhecê-lo. Minhas viagens a Roma me possibilitaram aproximar de todos esses papas, menos Pio XI, João XXIII e João Paulo I. Eram bondosos, sobretudo Pio XII, que tinha um comovente olhar. Porém estiveram sempre distantes e inatingíveis. João Paulo II quis estar perto do povo para sentir suas necessidades. Espero que o novo papa tenha uma mente atualizada para acompanhar os avanços da ciência que iluminam o alvorecer desta época. Que aceite novas idéias, mas saiba conter os exageros, para suas ovelhas não se extraviarem. (*) É membro da Academia Alagoana de Cultura