Opinião
A engenharia atualizada
José Vieira Passos Filho * Formei-me em Engenharia Civil em 1970. Nessa época, a faculdade funcionava na Praça Sinimbu. Durante os anos de estudo residi na Rua Dias Cabral. Maceió tinha menos de 200 mil habitantes. O êxodo rural limitava-se às grandes metrópoles. A única favela era o Ouricuri. Mas Maceió também foi atingido pelo progresso, conseqüentemente com tudo o que ele trouxe de bom e de ruim. Hoje a cidade tem quase 1 milhão de habitantes. Observamos: 1. Que as ruas centrais estão quase todas revestidas de concreto asfáltico; 2. Que não existem cinemas na área central da cidade. Como nas grandes metrópoles os cinemas foram para os shoppings. 3. Que o burburinho nas ruas centrais é intenso. Os camelôs oferecem seus produtos e as casas comerciais anunciam as promoções do dia; 4. Que pedintes perambulam para lá e para cá; 5. Que guardas municipais atentos observam conhecidos marginais para impedir suas investidas nos transeuntes; 6. Que prédios vistosos e altos, construídos por engenheiros alagoanos, ocuparam o lugar das casas de antigamente; 7. Que a orla de Pajuçara, Ponta Verde e Ponta da Terra foi urbanizada. Seus hotéis foram construídos engenheiros formados em Maceió; 8. Que Ponta Verde, Ponta da Terra, Jatiúca, Stela Maris possuem edifícios que competem em beleza arquitetônica com prédios das maiores capitais do mundo; 9. Que temos Shopping Center. Teremos também, em breve, um magnífico Centro Cultural, uma Central de Abastecimento e um Aeroporto Internacional. 10. Que o êxodo rural trouxe mais de 130 favelas. Logo, consideramos leviano o artigo do engenheiro José Arnaldo Lisboa, publicado na Gazeta em 07.04.05, intitulado A engenharia assassinada. O engenheiro José Arnaldo demonstrou desconhecimento (incompetência?) no assunto drenagem urbana. Aquelas tampas, José Arnaldo, são provisórias. São as tampas velhas que estão ali enquanto as novas ficam curadas. Essas tampas velhas tapam os buracos dos poços de visita para evitar acidentes. Muitos engenheiros alagoanos se destacam: Ronaldo Lessa, Luis Abílio, Márcio Calado, Nélia Calado, Jacinto Gilson, Abel Galindo. É uma afronta aos engenheiros alagoanos dizer que as faculdades esqueceram de ensinar a projetar a tampa de uma calha para recepção e esgotamento de águas pluviais. Por favor, José Arnaldo, não fale mais de nenhuma tampa de bueiro pluvial, você demonstrou não entender nada. (*) É engenheiro civil e especialista em drenagem urbana