Opinião
Educa��o brasileira
Dom Fernando Iório * Não sei se já estivemos pior ou melhor, em se tratando de educação. Sei de algo importante: saíamos mais bem dosados para o antigo exame de admissão. Sem dúvida, acendem-se novas luzes, em determinados setores da educação, falando-nos de dias melhores. Sessenta milhões de alunos freqüentam nossas escolas. O ensino fundamental atinge o percentual de 94%, dos 7 aos 14 anos. Infelizmente, mais de 19 milhões de crianças de 6 anos e de jovens, de 15 a 17 anos, conforme o IBGE, encontram-se fora das salas de aula. Estamos, no ensino médio, com 8,5 milhões de estudantes. Na educação superior chegamos a 2,5 milhões. Diga-se que só quando tivermos uma sadia política nacional de educação é que a maior das prioridades será a formação, a atualização e a remuneração condigna de professores especialistas, cerca de 2 milhões em todo o Brasil. Talvez a reformulação dos cursos de formação dos professores, com treinamento contínuo e um decente plano de carreira do magistério reduzam a vergonha e a injustiça do tempo presente. Tudo deve ser feito ? penso eu ? para promover aqueles e aquelas que são responsáveis pela educação do País. O Fundef foi criado. Não deixa de ser um dado positivo do governo passado, embora se faça necessária aquela rigorosíssima fiscalização por parte do MEC. Criminosamente, mais de 30% das prefeituras desviam os recursos do Fundef. Trata-se de irregularidades indesculpáveis. Esperamos que o Fundef não se limite, apenas, ao ensino fundamental, mas se estenda ao ensino médio, no dizer de Anísio Teixeira, ?o órfão? da educação brasileira. Infelizmente, há carência de escolas propedêuticas e profissionalizantes no Brasil. A Igreja dispõe de escolas propedêuticas nos seminários. A educação superior caminhou precariamente. A situação dos laboratórios é de lamentar-se. Professores mal pagos tornam-se indiferentes às salas de aula, sem energia para cumprir sua missão educacional. Chegamos a encontrar-nos diante da síndrome de ?teacher burnout?: professores sem ?elan? para o magistério. É de estarrecer. É verdade que o efetivo de alunos cresceu, graças à iniciativa particular com 70% do total das matrículas. Não vai bem a educação superior brasileira. Sendo assim, não são poucos os especialistas que estão a propor que seja criado o Ministério da Educação Superior, em íntima cooperação com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O atual MEC, pensam outros, poderia ser o Ministério da Educação Básica. De certo, os parâmetros curriculares nacionais (PCNs) que deram mais unidade à educação brasileira poderão ser aperfeiçoados (com mais Brasil e menos Piaget). (*) é bispo de Palmeira dos Índios