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Turismo e crescimento

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HUMBERTO MARTINS * Um dos principais estudiosos das questões econômicas alagoanas, o engenheiro Beroaldo Maia Gomes Rego, sempre que fala em turismo, lembra que 10% foi o máximo que essa atividade alcançou no PIB (Produto Interno Bruto) de qualquer nação, mesmo daqueles que recebem milhões de visitantes cada ano, como Espanha, França, Itália, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Mas o fascínio que Alagoas despertava no Brasil, há cerca de duas décadas, era tanto, que muitos especialistas admitiam que o Estado ultrapassaria essa marca. Era a época em que para conseguir uma reserva num dos mais famosos hotéis da capital, era preciso recorrer até ao prestígio do governador do Estado, o que muitos chegaram a fazer. Os que governaram, à época, estão aí, vivos. É só perguntar-lhes. O extraordinário êxito do turismo alagoano compromete um amplo conjunto de segmentos com o futuro da atividade. Os vários órgãos que, nas esferas estadual e municipais cuidam do turismo, precisam divulgar, cada vez mais, tudo de bom que temos de oferecer aos visitantes; dentro de sua possibilidade financeira, o Estado precisa conservar as estradas e as municipalidades nas ruas, idem a limpeza pública; hotéis e restaurantes devem manter preços competitivos; são fundamentais um aeroporto maior, mais moderno e um centro de convenções capacitado a acolher conclaves de grande e médio porte. É importante igualmente uma programação para os períodos de baixa temporada, que incluem os meses de março, abril, maio, agosto, setembro, outubro e novembro. Assim como uma programação de eventos que atraia visitantes em determinados períodos, como os chamados dias imprensados, que acontecem em determinadas datas do calendário. Áreas vocacionadas para o turismo ? região do São Francisco, reservas de Mata Atlântica, entre outras ? também merecem a devida atenção. A construção de hotéis e a ampliação dos já existentes dependem da retomada do crescimento econômico, assim como restaurantes e empresas de turismo receptivo, com pessoal de atendimento treinado e qualificado. Por essa via retomaremos a liderança que disputamos hoje com outras praças do Nordeste, a exemplo do Rio Grande do Norte. Fala-se e escreve-se muito sobre a retomada das atividades econômicas, mas o fato é que isso só acontecerá quando cada segmento tomar nas próprias mãos seu futuro. Esperar por medidas oficiais, de cima para baixo, é atitude contemplativa que, no mais das vezes, não gera resultados. Para o turismo alagoano é o momento de retomar a trajetória ascendente que o fez famoso, no Brasil, há cerca de 20 anos. Seus empreendedores devem pleitear dos administradores públicos o apoio imprescindível. Mas não devem esquecer que o caminho mais curto entre a inércia e a ação é uma programação bem estruturada, realista, feita com o pleno conhecimento do mercado. É o que Alagoas, com certeza, deve fazer. Turismo é mais trabalho. Atividade turística não significa tão-somente lazer, consiste numa verdadeira indústria sem chaminé, oportunizando a criação de novos empregos, gerando mais impostos, aproximando culturas diversas e conseqüentemente acarretando maior desenvolvimento de ordem econômica e social. Todo país desenvolvido investe no turismo. Incentivar o turismo é investir no futuro. (*) é desembargador do TJ/Alagoas

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