Opinião
A criança no mundo moderno
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O Brasil irá comemorar com alegria, na próxima segunda-feira, 12 de Outubro, o Dia da Criança, esse ser maravilhoso, que representa a riqueza do País. Entretanto, ficamos tristes com os dados estatísticos que mostram ser imenso o número de crianças abandonadas em nosso país atualmente. São crianças que vivem sem rumo, sem destino, entregues a própria sorte, aprendendo nas ruas o que de pior existe. Calcula-se que 20 milhões de crianças estão nessa situação nos tempos modernos. São crianças frutos de lares desfeitos, lares agressivos e lares pobres. O ideal seria que toda criança tivesse uma infância de amor em qualquer nível social, vivida em um ambiente onde os pais fossem maduros emocionalmente. A criança é um ser de grande sensibilidade, cuja vida é movida pelo amor. Ela guarda para sempre as lembranças vividas dos 3 aos 10 anos de idade, cujos reflexos bons ou ruins irão influenciar seu futuro de forma impressionante.
No Art. 6º da Declaração do Direitos da Criança, está escrito: “A criança necessita de amor e compreensão para um desenvolvimento harmonioso de sua personalidade. Deve ser criada pelos pais, sempre que possível, num ambiente de afeto e segurança, moral e material”. Uma grande parte da criança que vive no mundo de hoje sofre exatamente o oposto do que reza esse artigo. Crianças de pouca idade são doadas, vendidas e abandonadas aos milhares atualmente no Brasil, porque são filhos da miséria e da ignorância as quais possibilitam o crescente número de mães solteiras e de famílias irregularmente constituídas. Milhares de crianças pobres também revestidas da miséria, ficam catando lixo ou em outras atividades absolutamente incompatíveis com a sua idade. Muitas outras vivem abandonadas nas ruas, trocando a escola pela mendicância e pelos vícios. Esse, infelizmente, é o mundo moderno em que está inserida a criança. Nascem atualmente em torno de 1.700 crianças por hora na América Latina, em condições de “risco”; riscos físicos e psíquicos que precisam urgentemente dos governantes bem intencionados, dos pais afetuosos e de uma sociedade mais solidária para serem felizes. Os pediatras brasileiros do passado não esquecem da saudosa colega Dra. Zilda Arns, que passou a vida inteira lutando pelo bem-estar da criança nordestina através da Pastoral da Criança, criando o soro caseiro, que salvou milhares de vidas de pequenos desidratados. Toda criança tem que crescer com liberdade e dignidade. Liberdade para aprender, sentir, pensar e viver. Dignidade para que com ética e honradez possa ter um futuro feliz, num mundo cheio de contrastes.
Cuidemos, portanto, de nossas crianças, com competência técnica e amor; amparemos a família para fazê-la unida e feliz; edifiquemos eficazmente os corpos e as mentes das crianças de nossa terra para que elas tenham um futuro grandioso.
No mundo agitado e confuso como o atual, é preocupante o abandono das crianças onde, dessa forma, desprezamos o futuro do Brasil.
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