Opinião
Artigo para Gazeta de Alagoas: Dr. Antonio Sapucaia
Professor da Ufal escreve sobre falecimento de amigo
Nenhum homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. John Donne (1572 /1631).
Acordei na manhã desse 03 de outubro com a notícia infausta do falecimento repentino de meu amigo Antônio Sapucaia. Conheci-o no final da década de 60 do século passado, ele na chefia de gabinete da então Secretaria de Administração do Governo do Estado e eu, recém nomeado Diretor do Departamento Central de Pessoal, antigo Departamento de Serviço Público – DSP. Era um período de grande efervescência na Administração Estadual, sob a direção do Governador Lamenha Filho, em face da implantação de uma nova estrutura administrativa e de um plano de classificação de cargos. Afável, prestativo, bem relacionado, Sapucaia contribuiu muito para levar a bom têrmo a administração do Secretário José Alves de Oliveira.
Quanto a mim, iniciando a vida como servidor público, dirigia uma unidade incumbida da gerência do quadro de pessoal do poder executivo, acompanhando a vida funcional do servidor desde a admissão até a aposentadoria. Nessa conjuntura ocorreu-me receber um funcionário da Guarda Civil, que pretendia ingressar com pedido de aposentadoria. Esclareceu sua pretensão e arrematou a conversa oferecendo-me propina para dar agilidade ao processo.
Fiquei indignado e reagi, o que não é de meu estilo, de forma agressiva, expulsando-o do gabinete. Mais tarde, em visita à Secretaria, contei o fato a Sapucaia que, comentando, disse: “você cometeu um erro; diante de sua reação, o interessado haverá de ter pensado - ofereci um preço baixo demais .” Aprendi a lição. No curso de minha vida pública vi-me em algumas poucas ocasiões em situação semelhante. Lembrando-me da sábia advertência de Sapucaia, nunca mais reagi de forma agressiva. Simplesmente declinava da proposta e dava o assunto por encerrado. Seguimos nossas vidas.
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Eu como Procurador do Estado e Professor, ele como Jornalista, Pesquisador, Juiz de Direito e Desembargador. Nos anos recentes voltamos a desfrutar de uma convivência mais próxima, ao abrigo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde prestou relevantes serviços a memória e à cultura de Alagoas. Hoje resta-nos lamentar a perda de um homem que honrou a terra onde nasceu e as instituições a que serviu com competência, dedicação e amor.