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A felicidade nas dimens�es

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PE. CELSO ALÍPIO MENDES SILVA* Já escreveram que o maior presente do Senhor é o presente da vida e o maior pecado dos seres humanos seria devolver esse presente sem agradecê-lo e sem abri-lo. Ao abrir o presente da vida, o homem tem como meta o encontro da felicidade. Ser feliz é a procura constante da vida humana. John Steinbeck disse certa vez: ?Todos os pecados dos homens são tentativas de tomar um atalho para o amor?. Todos buscam a felicidade, mas, às vezes, em lugares errados. A psicologia nos ensina que a felicidade se encontra no exercício das dimensões humanas. A dimensão pessoal nos conscientiza de que cada um de nós é um pensamento de Deus que não se repete jamais. Deus não nos ama como uma grande humanidade. Ama cada um de nós individualmente. A seus olhos, não existe e nunca vai existir ninguém igual a cada um de nós. Sua providência escolheu e destinou você e eu, por um ato especial de bondade, a transmitir uma mensagem, a cantar uma música e a realizar, neste mundo, um ato de amor que ninguém mais pode realizar. O Pai do céu nos dotou de muitos talentos e qualidades, para que possamos explorá-los. É preciso investir no capital da nossa vida. A dimensão social nos leva a sair de si para ir ao encontro do outro. ?É dando que se recebe?. A compreensão mais profunda do personalismo contemporâneo é que só me torno uma pessoa se recebo minha condição humana de outro, por meio da dádiva da afirmação. Se nunca me sinto valorizado pelos outros, nunca valorizarei a mim mesmo. Há uma satisfação profunda e duradoura quando dou o presente de minha pessoa no amor ao outro. Contribuo, assim, com o presente de amor para a vida dos outros. O Evangelho nos ensina que a realização humana só pertence aos que conseguem ir além de si mesmos, para quem dar é mais importante que receber. A dimensão cósmica significa ser útil na construção do mundo. Deus colocou os seres criados em nossas mãos, a fim de que cuidemos de desenvolvê-los e dominá-los. O Pai do céu governa o mundo, através do agir humano. Com a luz da nossa inteligência e a coragem do nosso dinamismo, podemos transformar o mundo cada dia. ?O que tiver de ser será?. As pessoas que aderem a esse princípio de vida determinista encontram nele uma forma cômoda de evitar a responsabilidade pessoal. Tomemos decisões, façamos escolhas, resistamos, arrisquemos e mudemos, porque temos de assumir a construção de um mundo melhor, a civilização do amor. A dimensão religiosa é a busca do absoluto. A relatividade das coisas exige o absoluto de Deus. Todo homem tem um instinto religioso e deve desenvolvê-lo na educação da fé. Deus nos amou tanto que nos deu o seu Filho Jesus Cristo. E Ele veio não para condenar, mas para perdoar. O nosso Deus é próximo, está conosco, vive entre nós. Quando estamos reunidos em seu nome, Ele está em nosso meio. Deus nos ama tal como somos. O tipo de amor que nos leva para a plenitude da vida não é o amor que considera o que fomos ou o que podemos ser, mas o amor que nos vê tal como somos. É exatamente dessa forma que Deus nos ama. Na história de nossa vida, não há momento algum em que não seja possível se voltar para a luz e o calor do amor de Deus. Deus é amor (1Jo 4; 16). Descubramos o amor de Deus para não lamentar como Santo Agostinho: ?Tarde demais, tarde demais, ó Senhor, eu vos conheci e vos amei?. *É PÁROCO DA CATEDRAL

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