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ARTIGO

O fim do celibato na Igreja Católica

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Estava eu a olhar o Facebook e no grupo dos Jornalistas Livres vi que haviam postado várias matérias sobre as discussões do Sínodo da Amazônia, dando ênfase ao fim do celibato na Igreja Católica. Acabei tentando explicar, mas à medida que não se há conhecimento básico de Teologia e da forma como a Igreja age, fica difícil para alguns compreender a questão com profundidade.

Uma proposta apresentada no Sínodo Pan-Amazônico foi a ordenação sacerdotal de homens casados para aquela localidade, prática esta que já acontece na Igreja Católica de outros ritos. Como? Vou então explicar. Existem as igrejas particulares chamadas “sui iuris”, ou seja, igrejas particulares que estão em perfeita comunhão com o Papa. Ao total são 24 e nós, aqui do Brasil, pertencemos àquela conhecida como “Igreja Latina’. Mas também no nosso país existem expressões dessas outras; basta ir ao Sudeste e visitar as Igrejas Maronita e Greco-Melquita, por exemplo. Muitas vezes não temos conhecimento disso, mas eu estudei em Roma com seminaristas que se casaram e agora serão padres tão quanto eu. Isto não é uma realidade nova, pois já existia desde a Igreja primitiva. A expressão “a Igreja católica vai permitir os padres se casarem” está errada. Nestas igrejas “sui iuris”, os padres não podem casar-se. É necessário primeiro o rapaz se casar e depois então ser ordenado padre. Caso algum padre já tenha assumido o celibato, então lhe é vetado o casamento. Por isso, sendo aprovada a possibilidade de ordenar homens casados para a região pan-amazônica, nunca o celibato deixaria de existir. Nestas outras igrejas orientais que estão em comunhão com o Sumo Pontífice, convivem os padres casados e os celibatários, sendo que somente podem ser bispos aqueles que estão nessa última circunscrição. O celibato foi instituído por Cristo de forma tão clara e vista no Evangelho de Mateus no capítulo 19 e até hoje, dois mil anos depois, continua sendo parte da nossa história. Isso não pode ser mudado.

Por isso, não confundamos alhos com bugalhos. Uma possibilidade de ordenar homens casados não implica o fim do celibato da Igreja. Essa realidade, como vista acima, já existe na história e isso não anularia a possibilidade daqueles que querem assumir o celibato como estado de vida de forma definitiva.

Já escutei alguns dizerem: “acho errado os padres não se casarem”. Pessoas que pensam assim são extremamente voltadas ao sexo e pensam a vida de acordo com a realidade erotizada tão vigente em nossa sociedade. Se olharmos para Cristo vemos a beleza do celibato. Por que questionar o celibato daqueles que o desejam abraçar, e não o do Cristo? Se Ele foi, porque seus discípulos não o podem ser? Quanta incoerência! Gostaria que o mundo pudesse entender a graça que é o celibato. Mas, ao falar sobre a questão na passagem bíblica que citei acima, Jesus disse: “Quem puder compreender, compreenda”. Acredito que somente entendem aqueles que decidiram olhar para o Alto, ressignificando sua vivência na terra. Estes são os que antecipam as realidades futuras, e o fazem com profunda fé.

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