Opinião
DUAS VISÕES
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Completaram-se ontem 56 anos do movimento militar que depôs o presidente João Goulart e perdurou até 1985. Apesar de executado pela cúpula das Forças Armadas, a chamada “revolução” teve apoio de setores importantes da sociedade civil, como empresários e políticos. Nas redes sociais, embora a maior parte das menções ressaltasse o caráter autoritário do regime, houve também quem exaltasse as supostas virtudes da intervenção, que teria salvo o País do comunismo e retomado a ordem e o progresso.
Para os militares que tomaram o poder e defensores do movimento, em 1964 houve uma “revolução” no Brasil, com objetivo de restaurar a ordem pública, controlar a indisciplina nos quartéis e impedir a tomada do poder pelos comunistas. Já para outros, tratou-se de um golpe de Estado, que instaurou uma cruel ditadura no País. Os defensores da “revolução” costumam se referir a ela como um período de estabilidade, ordem e progresso. Não se pode esquecer, porém, que durante o regime militar, a liberdade de expressão e de organização era quase inexistente. Os meios de comunicação e as manifestações artísticas foram reprimidos pela censura. A partir da decretação do Ato Institucional nº 5, abriu-se a temporada de prisões arbitrárias, e a tortura passou a ser usada como arma de combate aos que lutavam contra o regime – em sua maioria jovens idealistas. Estima-se que, na vigência do AI-5, entre 1968 e 1979, a luta deixou 100 mortos do lado dos militares e mais de 400 mortos e desaparecidos. No campo político, 66 ocupantes de cargos públicos tiveram o mandato cassado, 66 pessoas perderam os direitos políticos, 348 foram aposentadas compulsoriamente, 139 militares foram reformados e 129 executivos do governo foram demitidos. Portanto, o momento não é de comemorar, mas de refletir sobre esse período. É preciso ter bem viva a memória desses fatos para que eles não se repitam. Ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita, são o pior caminho. A democracia, apesar de todos os defeitos, continua a ser o melhor regime e cabe à sociedade aperfeiçoá-la.