ARTIGO
A PÓS-PREVIDÊNCIA E O GABINETE DO ÓDIO
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A reforma da Previdência, finalmente aprovada, é incontestavelmente o maior êxito do governo nesses dez meses, e o ministro Paulo Guedes tem grande mérito pela vitória. Esse êxito deve ser dividido com o Congresso, e sobretudo, com a sociedade. O primeiro entendeu e reagiu à constatação de que a segunda estava madura e preparada para aceitar postergar aposentadorias, rever pensões e aumentar alíquotas de contribuição diante da evidência de que o sistema, tal qual estava, era inviável.Tirada de frente a barreira do eleitor, deputados e senadores foram menos temerosos ao lobby das corporações.
Por fim, a tibieza da oposição ajudou o governo. Depois de seus candidatos terem pregado a necessidade da reforma em campanha, passaram a punir seus componentes que votaram favoravelmente, mostrando incoerência e falta de proposta alternativa a um debate primordial para o País. O mesmo clichê de sempre: “que estava defendendo os pobres e os desamparados”, mas defendia privilégios para os já privilegiados do setor público.
Guedes teve um Congresso colaborativo como nenhum ministro da Economia jamais teve, a participação de Bolsonaro foi apenas entregar ao Congresso e lavar as mãos. Se a Previdência foi à frente foi graças à equipe econômica e às presidências da Câmara e do Senado. A Previdência foi aprovada a despeito de Bolsonaro. Mas ainda existe uma agenda imensa para enfrentar, onde a reforma tributária é apenas um capítulo. Guedes tem somado forças com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre para alinhavar o desafiador pacote pós-previdência, que inclui os estados, que ficaram de fora da reforma, uma sinalização de que reforma da Previdência é um imenso e desafiador processo, que nunca termina, precisa ser atualizado e adequado permanentemente à realidade da sociedade, como agora se demonstra no tumultuado Chile, onde a capitalização de Previdência, implantada na cruel ditadura militar chilena, é um dos principais motivos para a sua atual instabilidade. Mas para dificultar tremendamente esse processo, Guedes dorme sobre duas bombas-relógio: a primeira cronometra a paciência dos 12 milhões de desempregados e 20 milhões de desalentados. A segunda bomba é o presidente Jair Bolsonaro, que dia sim, noutro também, provoca algum conflito com adversários reais ou imaginários. Para tentar atrasar a bomba social, a equipe econômica tomou as medidas que podia: FGTS, 13º para o Bolsa Família e outros. Resta, então, a questão Bolsonaro. O discurso tóxico do presidente contamina o meio político. É impossível a Maia, Alcolumbre e o Congresso colaborarem enquanto as trupes bolsonaristas, os filhos e o seu abominável Gabinete do Ódio disseminam fake news e atrocidades contra adversários e aliados. São difamações e baixarias a explodir a todo momento. Guedes precisa de uma proteção, um bunker, que proteja seu plano econômico da política de guerra permanente e eterna de Bolsonaro e seus filhos. O Brasil precisa de estabilidade para não entrar no clima de instabilidade econômico-social da Argentina ou de terror do Chile, Equador, Venezuela e outros vizinhos sul-americanos. Guedes necessita encontrar urgentemente quem anestesie Bolsonaro e seus tresloucados filhos.