Opinião
Op��es e equ�vocos
MARCOS DAVI MELO * O bate-boca entre os Procuradores do Estado e o Executivo sobre salário e uma lúcida entrevista dada à TV GAZETA pelo professor Alberto Saldanha da Ufal, vieram reabrir o adormecido debate sobre as poucas opções de desenvolvimento para Alagoas, neste momento. Os procuradores queixam-se que ganham pouco, menos que seus pares na região nordestina. São funcionários públicos diferenciados, com funções relevantes para a sociedade, no que não estão sós e merecem ser contemplados na medida do possível para os cofres públicos. A latere, o professor Saldanha relembra como raiz da nossa pobreza, a via tomada por Alagoas para o seu desenvolvimento: o Estado como principal gerador de emprego e renda. A opção empresarial prevalente, a agroindústria do açúcar,vê exaurir suas possibilidades locais e migra para outros centros mais promissores. As alternativas aventadas algum tempo atrás (como o Polo Cloroquímico), não se implementaram e mesmo uma alternativa intermediária, fosse industrial ou agrícola, não se sedimentou. O turismo perdeu espaço na região. O que nos resta? O professor foi pessimista. Referiu como único definidor de nosso futuro, para melhor ou pior, a ação do governo federal. Se não há perspectiva de de-senvolvimento econômico, a iniciativa privada local murcha ou foge e a de fora não vem. Voltamos à velha e tão desgastada dependência total do Estado para delinear o futuro de nossos filhos. É preciso evitar os erros do passado. Uma das diferenças alocadas para a hipotrofia do nosso desenvolvimento em relação a outros estados da região foi a deformação e o excesso de Estado: principalmente o empreguismo sem produção, concomitante a uma desatenção à iniciativa privada. Hoje, a situação agravou-se e mesmo setores da iniciativa privada, com larga folha de serviços prestados à coletividade, como alguns hospitais tradicionais, encontram-se quebrados e dispostos a entregar suas instalações a qualquer preço ou fechar as portas. A febre que os procuradores apresentam é sintoma de uma doença que compromete todo o organismo alagoano. Que o digam os jovens que precisam chegar ao mercado entre nós. Batem lá e cá e quase não têm opções. Vivem na expectativa de um emprego público, alcançado por um improvável concurso ou por um deplorável favor político. Ambas as situações não contemplam o desenvolvimento e agrava-se a dependência nefasta do Estado unicamente às políticas (?) públicas. A iniciativa privada (com sua possibilidade de gerar empregos e desonerar o Estado), uma trilha assumida com prioridade em outros estados da região que estão em melhor situação, precisa ser tratada com a atenção e com o retorno que pode dar a nossa terra. Mas antes é preciso evitar que se quebrem as poucas empresas alagoanas ainda viáveis, para que sobrevivendo, possam estimular a vinda de outras de fora. (*) É MÉDICO