ARTIGO
O levante da educação
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O movimento estudantil brasileiro está se reorganizando na luta em defesa da educação e da cultura no Brasil, que estão sob ataque de um governo que já deixou claro sua aversão as universidades públicas e a universalização do ensino fundamental, dentro do contexto da LDB - Lei de Diretrizes de Base. Esta lei representou um grande avanço para o segmento educacional, articulada pelo senador Darcy Ribeiro, um dos maiores pensadores do século XX, que foi ministro da educação no Governo João Goulart e fundador da Universidade de Brasília.
Darcy, quando secretário de educação do Rio de Janeiro, no Governo Leonel Brizola, idealizou, junto com o arquiteto Oscar Niemeyer, os CIEPS - Centros integrados de Educação Popular, um dos mais revolucionários e arrojados projetos voltado para a educação da nossa história. A base teórica para a construção dos CIEPS, iniciou-se com as ideias do educador baiano Anísio Teixeira, que desenvolveu a concepção das Escolas Parque, de tempo integral, embrião do projeto implantado por Darcy Ribeiro, que tive a honra de conhecer e testemunhar sua genialidade intelectual.
A UNE - União Nacional dos Estudantes, entidade fundada em 1937, para defender e lutar pelos interesses dos estudantes brasileiros, foi um movimento fundamental em todos os momentos cruciais da nossa história, sobretudo nas lutas contra os totalitarismos tentados no Brasil de tempos em tempos. Pelo seu caráter contestador e de resistência popular, sofreu profundas perseguições de governos autoritários. combateu o Estado Novo, o nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial e a ditadura instalada pelo golpe de 64.
Para intimidar a UNE, os agentes da repressão política do regime militar queimaram a sua sede no Rio de janeiro, situada na "Praia do Flamengo,132", título do documentário de Vandré Fernandes, de 2017, que retrata muito bem o episódio. O fechamento do regime força o movimento estudantil a ir para a clandestinidade. Com a redemocratização e transição do governo militar para o civil e a ascensão da Nova República ao poder, os estudantes reorganizam a UNE e iniciam uma nova fase da sua história, período em que foi majoritariamente aparelhada pela UJS - braço do PCdoB no movimento estudantil.
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Com a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência, foram nomeados para o ministério educação, ministros de extrema-direita, claramente sem qualificação para o exercício deste cargo estratégico para o desenvolvimento nacional. Primeiro com o colombiano Ricardo Vélez e posteriormente com Abraham Weintraub, ambos seguidores do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, que acredita que a terra é plana. Voltando a Darcy Ribeiro, constatamos que de fato "a crise na educação não é crise, é um projeto". Este governo não deixa margens para dúvidas.
A UJS parece estar cada vez mais próxima do encerramento do seu ciclo de domínio absoluto sobre a UNE. Os novos estudantes querem inovações nas estratégias de luta. Por este motivo, surge na raiz dos movimentos de Base da sociedade civil organizada, o Levante Popular da Juventude, inovador nas formas de comunicação com os estudante do século XXI , tanto nos atos de protestos, a exemplo do Tsunami da Educação, bem como nas redes sociais, tendo ainda forte participação junto aos jovens dos movimentos agrários e das periferias dos grandes centros urbanos. Já é possivel perceber para onde caminha o novo e moderno movimento estudantil nacional.