editorial
DESINFORMAÇÃO
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News ouviu ontem autoridades e especialistas em nova audiência para discutir o assédio e a incitação a outras práticas prejudiciais na internet, bem como formas para combatê-las.
Trata-se de uma discussão global. Especialistas e autoridades de diversos países discutem os problemas relacionados aos conteúdos que circulam na rede, que chamam de “desordem informacional”. A desordem informacional é composta por notícias falsas, consideradas “desinformação”, mas também por outros tipos de mensagens voltadas a provocar dano, denominadas de “má informação”. Entre essas mensagens, estão desde a incitação à violência e a outros crimes a conteúdos que visam intimidar, humilhar ou afetar a dignidade de outras pessoas. Relatório recente do Instituto de Estudos sobre Internet da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que identificou práticas de campanha de manipulação na internet, incluindo notícias falsas e assédio, em 70 países nos últimos anos. Diversas táticas analisadas no estudo foram identificadas também no Brasil. Ao mesmo tempo as tentativas de criminalizar o envio de conteúdos têm se revelado uma faca de dois gumes, pois põem em risco a liberdade de expressão. O fenômeno das fake news não é novo nem exclusivo do Brasil. Muito antes da internet, os boatos já eram usados como estratégias de marketing nas campanhas eleitorais. A novidade agora é a rapidez a e amplitude com que eles se espalham, graças à revolução tecnológica que proporcionou o surgimento de grandes comunidades virtuais. Se antes era no boca a boca, agora é no compartilhamento de informações por meio de computadores e, principalmente, celulares. Há muitas iniciativas partindo da sociedade civil, universidades e dos próprios meios de comunicação, que criaram agências encarregadas de checar informações para distinguir se são fatos ou fakes. É um trabalho importante, mas a conscientização dos cidadãos é a melhor arma.