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Opinião

Insatisfa��o cidad�

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Três casos, três exemplos distintos de uma mesma lição. Em comum, três mortos e sombras distintas da impunidade prática. O jovem Andresson era músico, a namorada engravidou e ele foi desaparecido. Sem corpo, o processo não pôde ir adiante. À mãe, desesperada, restou o exercício cidadão de protestar todas as quintas-feiras, durante 10 anos. Também jovem, Olival Neto era um empresário em início de carreira e não se acanhava em empreender no interior alagoano. Levou um tiro por conta de uma discussão infantil, acerca de uma simples admoestação ? feita por terceiros ? a uma criança. Bernardo Oiticica, aos 43 anos, era muito jovem para o currículo de realizações que ostentava. Ousado, aguerrido, recuperador e criador de empresas. Surpreendido pelos tiros disparados por um parente, deixou surpresos e atordoados a todos que acompanhavam, mesmo de longe, sua brilhante carreira e a todos que invejavam a tradição de três séculos de cultura, refinamento e pacifismo da família Oiticica. Andresson perdeu até o cadáver. Quem o matou, matou também a esperança da justiça ser feita, ao providenciar um implacável desaparecimento do corpo. O assassino de Olival Neto se entregou, porém o constante prorrogar do julgamento desse réu confesso se estende num doloroso momento para a família e para a sociedade, que se angustia ao ver, repetidas vezes, protelado e protelado o esperado posicionamento da Justiça. Bernardo Oiticica, decorridos 30 dias de seu trucidamento, tem sua memória lembrada por amigos, familiares e admiradores. Entre todos cresce o sentimento de abandono e vulnerabilidade numa situação onde o criminoso decide quando e como, e se vai se apresentar à Justiça. Não são casos isolados, dramas restritos às famílias diretamente envolvidas. São três casos de uma tragédia que pode se abater sobre qualquer um. O silêncio da impunidade é ensurdecedor. Lembra a fragilidade dos seres pacíficos frente aos animais belicosos. Mesmo que as três situações estejam enquadradas nos ditames da lei, o desconforto e a frustração da sociedade são evidentes. Nesses casos, o sentido da palavra impunidade transcende o legal, o formal e passa a ter uma tradução real de impotência cidadã.

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