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EDITORIAL

DESIGUALDADE

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Estudo elaborado pela Rede Nossa São Paulo mostrou que moradores de um bairro da periferia da capital paulista podem viver em média 23,2 anos a menos do que os de um bairro nobre. A pesquisa completa traz 53 indicadores com as diferenças entre os 96 distritos da cidade em temas como habitação, meio ambiente, educação, cultura e segurança viária.

Os números reforçam a constatação histórica de que o Brasil é um país de alta desigualdade, inclusive quando comparado a outros países da América Latina, região do planeta onde a desigualdade é mais pronunciada. Na prática, direitos básicos previstos na Constituição – educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, a proteção à maternidade e à infância – se tornaram privilégios de uma minoria da população. A partir da década passada, apesar dos problemas históricos, o Brasil vinha avançando na área social. De acordo com um levantamento do Ipea, em 2012 o número de pessoas que haviam abandonado a pobreza ultrapassou os 3,5 milhões graças a programas de transferência de renda, em especial ao Bolsa Família, e ao aumento do emprego e da renda.

Em 2013, o Brasil era o 13º país que mais investia no combate à pobreza no mundo, em um ranking composto por 126 países em desenvolvimento, e servia de modelo para outras nações. Entretanto, a tendência à redução da pobreza vivida entre 2004 e 2014 se reverteu a partir de 2015 devido à recessão econômica, alimentada em parte pela crise política. Os cortes nos programas sociais também contribuíram para alargaram o fosso da desigualdade. Agora a economia vem dando sinais recuperação, mas não será fácil, em curto ou médio prazos, retomar os índices anteriores. Será uma longa caminhada à frente. Cabe à equipe econômica do governo não olhar suas políticas apenas pelo lado fiscal. Por trás de números e estatísticas estão milhões de brasileiros excluídos, que precisam ter acesso a direitos básicos.

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