Nº 4227
Opinião

CONTINGENTE DE EXCLUÍDOS

Em recentes declarações na imprensa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, lamentou que só ricos saibam capitalizar recursos e pobres consumam “tudo”. Mesmo questionado sobre como é possível guardar dinheiro ganhando tão pouco, Guedes continuou insistindo

Por Editorial | Edição do dia 07/11/2019 - Matéria atualizada em 07/11/2019 às 14h54

Em recentes declarações na imprensa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, lamentou que só ricos saibam capitalizar recursos e pobres consumam “tudo”. Mesmo questionado sobre como é possível guardar dinheiro ganhando tão pouco, Guedes continuou insistindo na afirmação.

Ontem, o IBGE divulgou dados que põem em xeque o raciocínio de Guedes. Segundo o instituto, o Brasil ainda tem 13,5 milhões de pessoas em pobreza extrema. Pela linha definida pelo Banco Mundial, são considerados em pobreza extrema aqueles que vivem com até US$ 1,90 por dia, menos de R$ 8, ou o equivalente R$ 145 por mês. Segundo o IBGE, os brasileiros na pobreza extrema aumentaram 2 pontos percentuais entre 2014 e 2018. Trata-se de um contingente superior à população total de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. Por outro lado, são considerados pobres aqueles que tem o PPC menor que US$ 5,50 (R$ 420 por mês) por dia. E esse número caiu de 0,7% no ano passado, atingindo agora 52,5 milhões de brasileiros. Alagoas aparece o segundo estado brasileiro com mais gente em condições de miserabilidade. De acordo com o IBGE, é essa a situação de 16,2% dos alagoanos. O estudo do IBGE mostra que mesmo a inserção no mercado de trabalho não é condição suficiente para que a pobreza seja superada. Entre os ocupados, 14,3% estavam em situação de pobreza em 2018. Outro detalhe que a pesquisa revela é que a pobreza não afeta igualmente a todos os brasileiros. Na comparação racial, as pessoas de cor ou raça preta ou parda eram 32,9% dos pobres brasileiros no ano passado. Os brancos não tinham menos da metade, com 15,4% deles abaixo da linha da pobreza. Nesse cenário, fica difícil falar em poupar dinheiro, já que as despesas básicas consomem toda a renda das famílias. É dever do Estado a adoção de políticas públicas de transferência de renda e de dinamização do mercado de trabalho para que o País mude essa realidade.

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