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Opinião

XI Bienal do Livro

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JOSÉ MEDEIROS * Talvez a melhor definição da Bienal Internacional do Livro tenha sido a de que não se tratou simplesmente de feira ou de exposição, mas de uma ?fábrica de leitores?, pois incentivou ? por inteligentes ações - crianças, adolescentes e adultos a gostarem de ler, a tornarem rotineiro o hábito da leitura e a lerem mais. Os índices de cultores da leitura são modestos no País. A discussão desse tema levou a um outro de igual importância. Autoridades governamentais e entidades sociais se empenham na luta contra o analfabetismo, essa dolorosa chaga social, tentando vencer os números alarmantes de vinte milhões de brasileiros ainda analfabetos. O assunto foi discutido na Bienal, como ação governamental e de comunidade. Se de vinte milhões de brasileiros cada um tomar para si a tarefa de alfabetizar outro, teríamos, em alguns anos, resultados surpreendentes. Numa campanha tão importante como essa os universitários poderiam dar relevante colaboração: poderiam ser ?universitários ? alfabetizadores?, com menção honrosa para seus currículos. Uma curiosidade histórica foi citada por determinada autoridade governamental durante reunião no Café Literário da Bienal. Quando foi desenhada a atual bandeira brasileira e adotado o lema Ordem e Progresso, cerca de 70% dos habitantes deste país não sabiam ler; não puderam entender essa sugestiva inscrição. O expositor concluiu: ??o homem nasce duas vezes, uma quando é trazido ao mundo e a outra quando aprende a ler?. Um amigo ?internauta?, sabendo que eu ia à Bienal, mandou-me alguns versos de ?pés quebrados?, mas de muita significação: ?Abrir os olhos é abrir um livro/reflexo de espelho do saber humano./ O livro abre-se para todos os gostos, / reflete, dimensiona, fala, faz mudar de plano./ Chave da porta do conhecimento, insistente./ O leitor consulta, lê, rumina, o saber assim exige. / O livro é o corpo, é o espírito do saber/ alma da humanidade, liberdade de ser?. Alagoas esteve presente na Bienal através da Fundação Municipal de Ação Cultural e da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal). Presenças marcantes e visíveis na XI Bienal do Livro no Rio de Janeiro. No estande da Fundação Cultural estiveram expostos 250 livros de autores alagoanos, número bem mais expresso que o dos anos anteriores. Foram concorridos os lançamentos das obras dos escritores Oliveiros Litrento, Petrúcia Camelo, Cléa Marsiglia, Maria da Puresa Amorim, Major Elza Cansanção Medeiros e Yara Falcon. Observei a curiosidade das pessoas que circulavam na Bienal sobre intelectuais alagoanos e seus trabalhos literários. A Bienal foi evento prestigiado por um público recorde. Uma feira de livros ?dinossáurica?, considerada por muitos como a maior do planeta. Esse megaevento pode ter contribuído para aumentar o desejado número de leitores atualmente existentes. Um fórum de debates que permitiu diálogo do público presente com nomes destacados da literatura brasileira. O livro nos ensina a ?saber pensar?, além de ser uma arma que ajuda pavimentar o processo de mudança social. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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