Opinião
Chance nacional
Durante o duplo governo FHC foi chique tachar as empresas nacionais de ineficientes e perdulárias, era prova de ?intelectualismo? acusarem-nas de ?sobreviver atreladas aos benefícios fiscais e creditícios do governo federal?, etc. Parece que agora as empresas nacionais têm chance de encontrar um certo alento. Isso se forem colocadas em prática as diretrizes estabelecidas no documento ?A Retomada do Desenvolvimento: Diretrizes para a Atuação do BNDES?, texto indicativo de uma nítida mudança na política de financiamento desse banco essencial. As empresas nacionais têm maiores dificuldades de conseguir empréstimos de longo prazo no mercado internacional, mesmo em situações onde o crédito era mais abundante e favorável a empréstimos deste tipo. A renúncia, durante a última década, de se priorizar a empresa nacional e a falta de linhas específicas de financiamento para sua modernização, provocou ? como era o objetivo do governo ? uma forte desnacionalização e o sucateamento de vastos setores industriais. Nas áreas de interesse dos grandes grupos internacionais e onde haviam empresas nacionais competitivas a quebradeira fez várias vítimas. No setor naval, por exemplo, estaleiros importantes foram fechados e milhares de postos de trabalho eliminados. A lógica dos defensores de um modelo de desenvolvimento no qual o Brasil seria um grande exportador de ?commodities?, era e continua sendo o de que não se pode estabelecer mecanismos que privilegiem o acesso de nossas empresas ao seleto mercado de obras e serviços de infra-estrutura, contratados pelo governo. Qualquer iniciativa neste aspecto é taxada pejorativamente de ?reserva de mercado?. A mudança de posição do governo ? se confirmadas as novas orientações do BNDES ? poderá servir de alavanca para um projeto nacional de desenvolvimento, alicerçado no desenvolvimento industrial já alcançado pelo País e nas novas e efetivas perspectivas de integração regional entres os países da América Latina. Resta apostar na esperança de que essa mudança venha realmente a acontecer.