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ARTIGO

O Big Stick está de volta

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A política externa norte-americana durante o governo de Barack Obama, teve por característica escalonar conflitos através de “Guerras Híbridas”, conceito definido pelo analista político russo-americano Andrew Korybko. Segundo o estrategista militar e General prussiano Carl von Clausewitz em seu livro intitulado “Da Guerra”: “Toda época tem seu próprio tipo de guerra, suas próprias condições limitantes e seus próprios preceitos peculiares”. Considerando essa teoria que embasa os conflitos militares, torna-se evidente que a forma como a guerra moderna tem se desenhado no tabuleiro global e a estratégia que o projeto hegemônico norte-americano lançou nos últimos anos da gestão democrata, produziram dois casos que se tornam determinantes para o entendimento do atual cenário geopolítico mundial. Me refiro aos casos da Guerra na Síria e do Golpe na Ucrânia. A Síria é importante para Rússia, em razão da sua base naval de Tartus, um ponto com acesso a importantes países, além de ser um dos maiores importadores de armas russas. Já a Ucrânia faz fronteira com a Rússia e contava com Viktor Yanukovich como presidente mais ou menos alinhado com os interesses russos de uma visão plurinacional para a Ucrânia, defendendo os russos étnicos e russófonos na região.

Em 2014, um Golpe de Estado altera a liderança do país, substituída por um empresário bufão chamado Pietro Poroshenko. A Ucrânia passa então a integrar a OTAN, organização militar criada pelo bloco capitalista para rivalizar na Guerra Fria com o Pacto de Varsóvia, do bloco socialista, fechando o cerco contra a Federação Russa. O golpe fracassou por controlar o leste do país, que foi dominado por um levante popular de resistência ao golpe nos Oblasts (região administrativa) de Lugansk e Donetsk, desencadeando uma guerra civil, que coloca em risco a vida dos russos que habitam a região da Criméia, que por sua vez, tem um importante porto para o Mar Negro e seu controle estratégico.

Foi então realizado o referendo pela incorporação da Criméia como parte da Federação Russa. Apesar dos avanços contra a Rússia, Obama acreditava que a estratégia estava fracassando, pois apesar do esforço para conter a Rússia, a China crescia economicamente. Foi revista a estratégia global, acelerada na gestão republicana de Donald Trump, com a reformulação da “Doutrina Monroe”, que previa um protetorado norte-americano, prevenindo a influência europeia América Latina. Recentemente, o então Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, declarou: “Nessa administração nós não temos medo de usarmos a palavra da Doutrina Monroe, para dizermos que não temos medo de usar o porrete, que é a palavra Big Stick”, conceito voltado aos países que invocarem sua soberania para manter qualquer tipo de relações com os inimigos do Império, Rússia e China. É neste contexto que surge o atual cenário latino americano, que analisaremos oportunamente, mas que podemos afirmar que está tudo interligado.

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