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ARTIGO

Acolhida aos imigrantes

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Quando morei na Itália por dois anos, tive a oportunidade de auxiliar uma paróquia que acolhia imigrantes e os ajudava até estarem totalmente independentes e assim construírem suas vidas. Recordo que presenciei muitas discussões acerca da crise imigratória vivida na Europa e diante de tantas dificuldades em receber aqueles que chegavam, alegrei-me com a iniciativa da Igreja Católica de espalhá-los por suas paróquias do Norte ao Sul e assim diminuir a quantidade demasiada que se concentrava em determinados lugares.

Ao retornar ao Brasil estava ciente da problemática de imigração vivida com os venezuelanos e o quanto estados como Roraima ficaram em uma situação crítica. Então, pela experiência que tive, acolhi dois venezuelanos no intuito de ajudá-los a se restabelecerem. A convivência foi muito interessante, pelo fato que são culturas diferentes e sempre acreditei que trocas de conhecimento são positiva. Aprendi muito sobre o apogeu e o declínio do nosso país vizinho, mas pela ótica daqueles que ali moravam. Tocados pela mão estendida, sempre me agradeceram pelo apoio e por terem tido abrigo quando mais precisavam. Partilho que dificuldades também apareceram, especialmente com o idioma. Pelo fato de ser septuagenária, a senhora acolhida não conseguiu em vários meses desenvolver-se no aprendizado do Português. Já seu filho, conhecedor de outros idiomas, conseguiu avançar muito, fazendo-se mais inteligível em sua comunicação. Muitos momentos foram repletos de emoção. Brasil também vive uma crise, especialmente no setor de empregos, e por conta disso os imigrantes que aqui chegam possuem extrema dificuldade para entrar no mercado de trabalho. O venezuelano acolhido é Engenheiro de TI e Educador Físico, mas obteve empregos em restaurante, empresa de turismo, Igreja… nenhum especificamente em sua área. Isso o deixava entristecido, pois pensava que seu potencial estava desperdiçado. Um certo dia recebeu uma proposta de ir para o Panamá e ser gerente de uma academia naquele país. Um grupo de venezuelanos abastados resolveu fazer investimentos nesse campo e então fizeram o contato pois viram nele as qualidades necessárias para tal cargo. Resultado, embarcou para um novo em sua vida, acreditando ser uma oportunidade imperdível, pois assim trabalharia na área de sua formação. Sua mãe chorou bastante a dor da separação, pois não sabe quando poderá se reencontrar com ele. Mas amanhã já seguirá um rumo diferente, pois seu outro filho entrou como refugiado na Espanha e ela para lá irá na tentativa de se reagruparem e lutarem juntos pela sobrevivência. Posso dizer que cumpri minha missão, acolhendo os dois quando mais precisavam. Tive que me adaptar ao jeito deles, aprendi mais sobre sua cultura e vivenciei de perto o peso de ser imigrante. Isto foi um belo processo de humanização, me fazendo olhar para a realidade dos que passam por situações extremas com mais compaixão. Várias vezes me fazia a pergunta: e se fosse eu nessa ambiência? Colocar-me no lugar do outro sempre foi uma forma de partilhar o seu sofrimento e entender a essência do que é compadecer. Agora estou ajudando 15 venezuelanos que moram em Maceió e estão tentando refazer a vida. Ao olhar as crianças vejo que são a esperança de um dia darem um futuro diferente aos pais, pois são de melhor e mais fácil adaptação. Vejo que uma missão terminou, mas outra começou. E o mais belo é vê-los perceber que Deus nunca os abandonou.

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