EDITORIAL
VIOLÊNCIA
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VIOLÊNCIA
Ontem, em todo o mundo, foi celebrado o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. As estatísticas mostram, entretanto, que ainda se está muito longe de atingir esse objetivo. Em Alagoas, por exemplo, o número de homicídios que têm mulheres como vítimas este ano já supera o de 2018. São 82 casos até agora.
A violência contra a mulher tem vária consequências. Pesquisa Violência Doméstica e seu Impacto no Mercado de Trabalho e na Produtividade das Mulheres, realizada pela Universidade Federal do Ceará e pelo Instituto Maria da Penha, revelou que 23% das vítimas recusaram ou desistiram de alguma oportunidade de emprego no Nordeste, entre 2016 e 2017, porque o parceiro era contra. Enquanto isso, 9% das mulheres não vitimadas pelos parceiros reportaram ter recusado alguma oportunidade de emprego. Mulheres vítimas de violência domésticas, entre 2016 e 2017, reportaram menor frequência no exercício de sua capacidade de concentração, na capacidade de dormir bem, em tomar decisões, além de se sentir frequentemente estressada e menos feliz em comparação às mulheres não vitimadas pelos parceiros. Ainda segundo a pesquisa, realizada nas nove capitais do Nordeste, mulheres vítimas de violência doméstica apresentam uma duração média de emprego 21% menor do que a duração daquelas que não sofrem violência e recebem um salário cerca de 10% menor. Enquanto isso, o poder público ainda não consegue dar uma resposta adequada ao problema. Só 9% dos municípios do Brasil têm delegacia da mulher e apenas 19% dos municípios têm algum órgão de defesa da mulher. Em Alagoas não é diferente. O Estado não dispõe de amplas políticas de assistência à mulher. É preciso, por exemplo, amplia a rede especializada, capacitar as polícias civil e militar; implementar um plano estadual, interiorizando as políticas, inclusive a patrulha Maria da Penha; e agilizar os inquéritos. Sem essas medidas, a cada ano as estatísticas continuarão a trazer números preocupantes e vergonhosos.