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Opinião

Em defesa da Ufal

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Por Paulo Memória. jornalista e cineasta. | Edição do dia 03/12/2019 - Matéria atualizada em 02/12/2019 às 20h20


As atividades educacionais e as universidades públicas estão sob ataque em nosso país, numa clara diligência de sua desconstrução. E o mais grave nesta assertiva, é que esta tentativa de destruição da democratização do ensino é liderada pelo próprio governo federal, que deveria oferecer ao povo brasileiro um projeto de educação pública, universal e de qualidade. O atual ministro da educação, que comanda esta operação, tem se revelado cada mais desqualificado para o exercício deste cargo fundamental para o desenvolvimento, amadurecimento e crescimento intelectual e cultural da nossa sociedade.

Este é o contexto primordial pelo qual eu defendo a UFAL. A nossa universidade federal, sobretudo na gestão da Magnífica Reitora Valéria Correia, avançou significativamente na sua consolidação institucional, posicionando-se entre as melhores universidades do mundo, segundo o “Ranking Higher Education”, divulgado recentemente sobre as instituições de nível superior mais bem colocadas pela qualidade de ensino e pesquisa que proporciona aos seus alunos. Estas conquistas estão seriamente ameaçadas. A ampla reestruturação da Universidade Federal de Alagoas, propiciou a melhoria das condições de trabalho do corpo docente e discente e dos seus funcionários e técnicos em geral. Outro aspecto importante deste momento naquela instituição de ensino público, foi a retomada do movimento estudantil no âmbito universitário, com a reestruturação do DCE - Diretório Central dos Estudantes, que se encontrava desativado há tres anos, bem como o fortalecimento dos seus respectivos CAs - Centro Acadêmicos, que passaram a ser mais atuantes na defesa dos interesses estudantis. O conjunto coletivo dessas ações, foram fundamentais para que a nossa universidade atingisse o nível de excelência que conquistou. É por isso que eu defendo a UFAL. O papel dos estudantes se mostrou primordial nesta mudança de perspectivas. Não por acaso a estudantada sempre esteve a frente dos movimentos de resistência e transformação da história universal. Foi para contestar o sistema dominante, que os estudantes levantaram as barricadas no movimento que entrou para os pósteros como o “Maio de 68”, quando escreveram nos muros de Paris, frases icônicas nas quais diziam “seja realista, exija o impossível” ou vaticinavam que “é proibido proibir”. Para quem quiser entender melhor este período, assista ao filme A Chinesa, do antológico cineasta Jean-Luc Godard, de 1967, que trata dos grandes questionamentos que influenciaram aquele revolucionário ano de 1968, sendo até mesmo, para alguns, um filme premonitório. A sociedade civil organizada tem incumbência determinante na defesa do Estado democrático de direito, e, particularmente, não permitir retrocessos no campo da educação. Por esta razão eu defendo e sempre defenderei a UFAL!

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