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Opinião

Alvas pombas

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RONALD MENDONÇA* Virou rotina os principais jornais do país e do Estado estamparem notícias sobre a escalada da violência. Particularmente nos fins de semana a coisa cresce, e, entre nós, tem prevalecido a incômoda média de 12 mortes, emparelhados proporcionalmente a São Paulo que contabiliza cerca de 120. Isso, sem falar nos espancamentos, estupros, assaltos diversos, seqüestros e outras violências ?menores?. A situação está tão grave que há semanas em que chego a ter pena dos editores por serem obrigados a ocupar largos espaços em suas folhas com tanta miséria. Nesse campo, o governo de Alagoas parece ter dado um passo importante na tentativa de reverter essa média indigesta. De fato, numa semana em que a polícia alagoana conseguiu sufocar uma rebelião em um dos presídios e o ministro da Justiça vem a Maceió para confirmar nossa inclusão num certo ?Sistema Unificado de Segurança Pública?, espécie de SUS da segurança, dá até para pensar que as coisas estão querendo andar nos trilhos. Tudo indica que a conta por ter agüentado a pressão ao hospedar Beira-Mar começa a ser paga. Pessoalmente, considero o atual ministro da Justiça muito doce para lidar com a aspereza do crime organizado ? e do desorganizado também. A impressão que dá é que S. Exa. está muito mais para uma pastoral carcerária do que para o gladiador disposto a derrotar adversários. Sua postura angelical lembra Gandhi, com a diferença de que o grande guru indiano lidava com conflitos políticos, ideológicos e étnicos. De que servem, por exemplo, hastear a bandeira branca ou promover uma revoada de alvas pombas para tentar regenerar Geleião, Elias Maluco et caterva? Não faz muito tempo, Márcio Thomaz Bastos, estranhamente, posicionou-se contrário à proibição da venda de armas sob a alegação de que bandidos não se abastecem nos empórios ?normais?. Tudo bem. Só que os bandidos ?comuns?, os free lancers do ramo, municiam-se a partir dessas fontes (cujo único e exclusivo interesse é vender), ora por via direta no balcão da loja, ora através de assaltos em que se leva a arma que o cidadão-vítima portava. Quanto às tetas clandestinas que alimentam o narcotráfico, é função precípua do Ministério da Justiça descobri-las e combatê-las. Na contramão do pensamento do ministro, defendo que punições severas, efetivamente aplicadas em sua extensão, são meios que inibem a violência. Não me refiro aos psicopatas, porque esses não têm remédio. Como a maioria, acho que as diferentes prateleiras onde as pessoas se agrupam são óbvios adubos que nutrem a inveja e o ódio. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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