Opinião
Combust�vel malandro?
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de ?malandros? os proprietários de postos de combustíveis que não repassam para os consumidores a redução de preços promovida pela Petrobras, as entidades representativas deste segmento publicaram notas e, por intermédio de seus dirigentes, deram declarações à imprensa negando o fato. A resposta dos empresários foi direta e mostrou uma velha ferida aberta na economia brasileira: a imensa carga tributária. Do preço final do combustível, afirmam os empresários do setor, o governo abocanha mais da metade. Uma mina a céu aberto. Para o governo não existe matemática diferente. Se a Petrobras baixa os preços dos combustíveis, os consumidores devem sentir na mesma medida a redução. Para isso, o governo federal passará a divulgar uma tabela referencial para ser cobrada nos postos de combustíveis, toda vez que a estatal diminuir os preços. Se vai funcionar, aí é outra história. Em Alagoas, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço sugerido para o Estado é de R$ 2,2426, enquanto o preço médio praticado é de R$ 2,2470, pouco maior 0,2%. Aqui, depois de ser considerado pela ANP, o campeão de adulteração de combustíveis do Brasil, esse quadro foi revertido (por meio da Campanha Posto Nota 10) e diminuiu sensivelmente o percentual de postos vendendo combustível irregular. Do ponto de vista do consumidor, o fundamental é que o preço do combustível sofra redução. Se será mediante tabelamento de preços, como sugeriu o presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis em Alagoas (Sindcombustíveis), ou pela fiscalização e pressão do Ministério das Minas e Energia, ou mesmo pela redução dos impostos incidentes nos preços dos combustíveis, pouco importa, desde que o preço caia. O que não pode continuar é o mistério que faz com que a Petrobras diminua os preços da comercialização dos combustíveis e os consumidores não sejam beneficiados. E, de quebra, se a carga tributária for reduzida, aí estaremos com combustível adequado para acelerar, de fato, a economia.