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O pobre

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* São Vicente de Paulo, universalmente reconhecido como o Pai dos Pobres, o Apóstolo da Caridade, afirma: ?O pobre é meu peso e minha dor?. Com estas palavras, ele pretendia traduzir o seu profundo amor e o seu compromisso com o pobre, a partir de Jesus Cristo. É sob a força motivadora, inspirada neste santo, que em minha solicitude de pastor pretendo falar, hoje, sobre o tema: ?O Pobre.? A pobreza é um estado que designa não somente a falta de bens materiais, mas também deficiências físicas, psíquicas e intelectuais, a dominação, o impedimento de se poder valer as próprias possibilidades, a impossibilidade de determinar, por si mesmo, o próprio modo de vida. É a visão sociológica do pobre e suas conseqüências. Mas para o cristão, segundo a Escritura Sagrada, pobreza é um modelo de vida que já desponta no Antigo Testamento no tipo dos ?Pobres de Javé? e é vivido e proclamado por Jesus Cristo como bem-aventurança. A miséria, porém, é uma conseqüência da injustiça social, fruto de uma desorganizada e injusta distribuição de renda. Deus destinou a tempo todos os bens da natureza, para uso dos homens, de tal modo que os bens criados devem bastar para todos, com equidade, sob as regras da justiça, inseparável da caridade. Somos conscientes de que compete a todos o direito de ter uma parte de bens suficientes para si e suas famílias. Os doutores e os padres da Igreja ensinam que os homens estão obrigados a socorrer os pobres, e, na verdade, não somente com o que lhe é supérfluo. Pois, aquele que se encontra em necessidade extrema tem o direito de procurar o necessário para si junto às riquezas do outro: ?Mas ajuntai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça, nem o caruncho destroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde está o teu tesouro aí estará também teu coração.? ( Mt 6; 20-21) A Igreja do Brasil, em sua missão evangelizadora, expressa claramente nas novas Diretrizes da CNBB: ?Evangelizar proclamando a boa nova de Jesus Cristo, caminho para a santidade, por meio do serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção pelos pobres, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e participando da construção de uma sociedade justa e solidária a caminho do reino definitivo?. Portanto, à luz do evangelho, em sua a ação missionária deve ter prioridade a opção preferencial pelos pobres, a exemplo de Jesus que veio para evangelizar os pobres. Todos, sem distinção, somos convidados a abraçar a pobreza voluntária, que supõe o desapego dos bens materiais e nos deixa livres para amar. De modo especial, os sacerdotes a exemplo do Cristo pobre devem viver este ideal. Sabemos que Cristo por nossa causa se fez pobre, sendo rico, a fim de nos enriquecer por sua pobreza. Também os apóstolos atestaram pelo seu exemplo que o dom gratuito de Deus deve ser dado de graça, sabendo viver na abundância e na penúria. Nossa aproximação ao pobre com o objetivo de acompanhá-lo e servi-lo, nos faz recordar o que o próprio Cristo nos ensinou, quando se fez irmão nosso, pobre como nós. Por isso, afirma o documento de ?Puebla?: ?O serviço dos pobres é medida privilegiada, mas sem exclusivismo, de nosso seguimento de Cristo?. Jesus considera a si mesmo o bem ou o mal que fizermos aos outros. Sobre o olhar meramente natural, o pobre é desprezível e repugnante. São Vicente de Paulo, porém, nos diz: ?Virai a medalha e vereis Jesus Cristo?. Aos pobres ele também chama: ?Mestres e senhores?. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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