Opinião
Amizade permanente
MILTON HÊNIO * Na década de 60 a saudosa cantora Mayza Matarazzo celebrisou-se com uma gostosa canção em que marcava a falência de um relacionamento amoroso no qual colocava toda a sua confiança e esperança. Diz a música: ?meu mundo caiu, só você foi quem não viu?. E concluía: ?se o meu mundo caiu... eu que aprenda a levantar?. O mundo cai diariamente na cabeça de milhares de jovens casais que, sem o amor necessário, casam apenas pelo prazer e sem solidez de amizade, quebram uma aliança firmada. É impressionante o número de casais que se separam nos dias de hoje. Segundo as pesquisas, 76% não chegam a completar 5 anos de vida em comum. Hoje temos perto de 40 milhões de jovens adolescentes no Brasil. Eles estão vivendo uma fase importante de sua vida biológica. Os problemas ligados a uma atividade sexual cada vez mais precoce, tem levado a sérias complicações com a história de ?fiquei e ficou?. Chegam os filhos que não estavam programados, os jovens casais ficam unidos pelo casamento, muitas vezes a contragosto, uma vez que não há amizade profunda entre os mesmos e a separação é inevitável. O sexo provocou, nos últimos anos, uma transformação radical no comportamento da sociedade. De tabu, passou a ser tema discutido nas escolas, de pecaminoso a ser fisiológico; de assunto proibido passou a ser didática; de instrumento reprimido passou a ser vulgarizado. Sexo transformou-se em tema predileto da televisão, do cinema, das novelas e o que é ridículo e deprimente, é usado como forma de propaganda de cigarro, automóveis, caminhões e até tratores. Toda essa onda em que o sexo é usado apenas como fonte de prazer tem levado os jovens a um sentido diferente de amor. Há um vazio nessa capacidade de amar, segundo grandes psicólogos como Vitor Frankl, Jung e recentemente o americano William Glasser, que em sua ?Terapia da Realidade?, engrandece a importância do ser humano de dar e receber amor, de estar em relação com a companheira, de ser coerente com os próprios valores, de conceber o outro como essencial para o próprio equilíbrio mental e de ser responsável pelo bem-estar dos filhos. Para Glasser, uma pessoa para satisfazer suas necessidades fundamentais deve, obrigatoriamente, encontrar-se envolvida com quem lhe acompanha. Isso é o que acontece nos casamentos de longa duração. Apenas 3% dos casais brasileiros passam dos 40 anos de casados. Graças a Deus estou no meio deles. Ontem completei essa data. Foram 14.695 dias de lutas, alegrias, noites de chuva e dias belíssimos de sol, em que essa amizade entre marido e mulher foi a base para a nossa felicidade. Minha querida esposa, Myrza, durante esses 40 anos desempenhou muito bem o seu papel de esposa de médico, sempre a me esperar, tendo como mãe um zelo extraordinário pelos filhos hoje realizados. Quatro lindas jóias que Deus me deu. E oito lindos netos que encantam meu viver. Só me resta dizer: Obrigado Senhor pelaamizade que temos um pelo outro e que solidificou esse casamen to duradouro e plenamente realizado. Os filhos nos levam àquele horizonte de vida, de cores, de luz e de canto que é próprio da estação primaveril. Os filhos são a esperança que floresce continuamente, um projeto que sempre recomeça, o futuro que se abre sem parar. Representam o florescimento do amor conjugal que neles se encontra e se consolida. Portanto, a amizade verdadeira existente no matrimonio é a base para perseverar a reciprocidade para que haja uma caminhada feliz. A primeira necessidade, a de dar e receber amor, está presente em todo o círculo da vida humana. E não basta ser amado; é indispensável também saber amar. Isso é o que desejo a todos os casais da minha terra para que uma amizade permanente mantenha sempre de pé a família, tesouro indispensável para termos uma humanidade mais feliz. (*) É MÉDICO [email protected]