Opinião
Germinal
MARCOS DAVI MELO * Retornei na sexta-feira passada, após muitos anos, a um dos recantos marcantes da juventude: o Cepa. Sai do Colégio Batista e fui para o Moreira e Silva, na época, o melhor colégio de Alagoas. Para lá se transferiam muitos dos filhos da nossa classe média. Voltei com 15 jovens acadêmicos de medicina da Escola de Ciências Médicas da Uncisal. Esforçados e ávidos por experiências práticas que alicercem melhor as suas formações profissionais. Tínhamos marcado uma série de atividades direcionadas a alertar os estudantes de um daqueles colégios sobre os malefícios do cigarro. Era o ?Dia Mundial contra o Fumo?. Antes, todas as providências já tinham sido tomadas pelas voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer, que fizeram os contatos prévios com o colégio e a organização dos trabalhos. No dia e hora marcados todos estávamos lá. A diretora do colégio, professora Vânia Marsíglia, prestimosa e organizada, em muito facilitou o nosso trabalho. Distribuímos em cada uma das salas de aula, um acadêmico de Medicina e uma voluntária da Rede e os debates foram abertos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o cigarro toma um aspecto de pandemia. Existem um bilhão e duzentos milhões de fumantes em todo o mundo. Nos próximos 45 anos deverão morrer em decorrência do tabaco quatrocentos milhões de pessoas. Mais que a soma dos óbitos de todas as futuras guerras e violências várias. Ainda segundo a OMS, 92% dos fumantes se viciam entre os 11 e os 18 anos. Além de ser a principal causa de morte evitável, o cigarro vem ocupando um preocupante espaço como ?Droga de Entrada?, isto é: os adolescentes experimentam o cigarro, gostam, mas querem algo ?mais forte?. Daí, logo aparece a oportunidade para ?um tapa? em um cigarro de maconha, crack, cocaína... E toda a violência e desagregação social associadas. Ao fim do dia, a avaliação foi satisfatória. As 24 turmas do colégio que foram trabalhadas, mostraram interesse pelo assunto (como pelas associações com álcool, drogas...) com perguntas e participação muito acima do esperado. É um campo fértil tanto para germinar bons quanto mal hábitos. Podem sair dali homens normais ou marginais, é uma questão de educação, orientação e oportunidades. É inquietante esta sensação de impotência que nos toma diante dos desarranjos do mundo que nos cerca, como gratificante a impressão de que podemos dar uma pequena colaboração na formação deste pessoal. Nos corredores, sentimos saudades daqueles bons tempos, nos quais o diretor José Márcio Lessa, com habilidade, bom senso e sensibilidade, conduzia um grande e inquieto rebanho, hoje transformado em homens atuantes na nossa sociedade. (*) É MÉDICO