Opinião
Defesa e trabalho
HUMBERTO MARTINS * Em um país de dimensões continentais como o Brasil, que faz fronteiras secas com dez nações e tem enorme litoral, a ocorrência de décadas a fio em tempos de paz não reduz a responsabilidade das Forças Armadas: Exército, Marinha e Aeronáutica, em missões relevantes. Além do mais, os problemas internos de segurança sugerem que não será exatamente uma surpresa se o País tiver de recorrer as suas Forças Armadas para ajudarem, em situações de emergência, os organismos destinados a estas tarefas. O advento de uma nova administração federal faz com que os responsáveis pelas três Armas estudem os rumos a serem adotados, condizentes com as possibilidades econômicas e a situação social do País. Nos primeiros dias do atual governo, o presidente da República sustou a importação de caças para a Força Aérea Brasileira FAB, que são necessários, porque os aparelhos atualmente disponíveis estão com muitas décadas de serviço e completamente ultrapassados. Ademais, o novo governo pretende engajar, sempre que possível, empresas nacionais em transações de grande vulto financeiro, como seria o caso da importação dos jatos. Quando a sofisticação do equipamento desejado exigir tecnologia estrangeira, o provável, de agora em diante, nesses casos, é que se estabeleça um sistema de parceria da indústria nacional com a de outras nações. Além de caminhões e jipes, a indústria brasileira produziu na década de 80 e início de 90 do século passado, carros blindados de reconhecimento e viaturas blindadas de transporte de tropas. A ?diretriz geral? do comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, divulgada há quase dois meses, prevê ?estudar como viabilizar a produção de veículos blindados de rodas e viaturas militarizadas pela indústria nacional e estimular a fabricação de veículos Material de Emprego Militar (MEM) pelo parque brasileiro?. Com o poder de produzir equipamento militar mais compatível com as necessidades nacionais, a indústria bélica empregaria mão-de-obra local, contribuindo, assim, para diminuir o índice de desempregados. Os problemas de manutenção também são muito facilitados pela produção dos equipamentos aqui mesmo no Brasil. As perspectivas de exportação também são animadoras. O mercado sul-americano é o mais próximo, mas, a exemplo do que aconteceu no passado, nações em desenvolvimento da África e da Ásia também seriam compradoras. Em uma única transação, o Brasil vendeu ao Iraque, na década de 80 do século passado, 350 carros blindados. Com relação à Aeronáutica e à Marinha, menciona-se que o Brasil tem uma fábrica de aviões e uma desenvolvida indústria naval. Modernizar e equipar nossas Forças Armadas, além de constituir objetivo de Segurança Nacional, é fator, também, de crescimento econômico e social, estimulando, assim, a oportunidade de novos empregos. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/ AL