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Opinião

Calaram mais uma voz

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WALTER CALHEIROS * O sofrimento e a dor também são formas de alerta, visando uma maior conscientização para todos aqueles que buscam um mundo mais justo e humano. Com certeza, todos nós estamos nos sentindo violentados pelo acontecido nestes dias, violentados pelo silêncio imposto pelo medo. Porém, como educadores, não podemos esquecer nossa mais importante missão: a formação do cidadão e da cidadã do amanhã, e não conseguiremos educar para a cidadania sem bradar nossa voz; não conseguiremos educar para a cidadania debruçados no silêncio forçado pela repressão. Vivenciamos, no seio de nossa intimidade familiar, o que toda sociedade brasileira, e particularmente a alagoana, vivencia no seu dia-a-dia. Durante os últimos dias, sentimos no nosso interior todo o peso da violência que impera em nosso meio. O peso do desamor, em uma terra que amamos muito, mas que insiste em perpetuar a aplicação do poder pela força. No nosso dia-a-dia falamos muito em paz. Falamos muito em cidadania. Nesse sentido, a escola não deve ser um meio de difusão apenas dos conhecimentos formais, mas também de ensinar a lutar pela verdadeira paz, pela verdadeira cidadania. Mas que paz e que cidadania nós queremos? Uma paz trancada atrás de quatro paredes ou atrás das grades das nossas casas? Uma paz onde somos obrigados a silenciar perante a corrupção? Uma paz imposta pelo medo? E de que cidadania nós estamos querendo usufruir? Uma cidadania omissa? Uma cidadania onde somos obrigados a nos acovardar perante as forças ocultas? Uma cidadania submissa, que nos impede de gritar, de denunciar quando se eliminam nossas famílias, nossos amigos? Uma cidadania onde somos oprimidos pelo silêncio? Essa não é a paz e nem a cidadania que eu quero para meus filhos, para a minha família, para os meus amigos, para o meu meio. Essa não é a cidadania que eu quero transmitir na minha missão do dia-a-dia de educador. Não podemos, caros jovens alagoanos, viver com medo de morrer acorrentados, esmagados, queimados e silenciados pela força dos que não querem ver um Brasil justo e uma Alagoas de Paz. Na sua militância, Paulo em todos os seus momentos lutava contra as injustiças sociais. Era um defensor da coisa pública e da empregabilidade correta dos recursos advindos da sociedade, principalmente na área da educação. Tem uma frase sua que sintetiza muito bem sua luta: ?A escola pública pode ter a qualidade da escola Marista, se os recursos forem empregados corretamente?. Porém, Paulo Bandeira não era conhecido em nosso meio como um lutador das causas sociais sistemáticas e organizadas, mas era um militante, que lutava contra as injustiças. Paulo Bandeira era conhecido como um homem alegre, destemido, lutador, idealista, amante, profissional, inocente. Digo inocente, porque ele não tinha a menor desconfiança de onde estava pisando. Ele não acreditava na covardia agressiva dos que calaram sua voz, impondo-lhe um sofrimento da forma mais absurda já vista nesse mundo desumano. Freud, quando estava para morrer, ouviu de um de seus discípulos a pergunta: ?Mestre, o que é, para o senhor, uma pessoa normal?? E Freud respondeu: ?Normal é a pessoa que sabe fazer duas coisas e as faz bem: trabalhar e amar?. Muito tempo depois, um outro grande homem, Viktor Frankil, disse que: ?além de trabalhar e amar, a pessoa normal deveria também sofrer.? Para Viktor Frankl, o sofrimento é uma riqueza e uma experiência única a qual todo homem tem direito?. E você, Paulo, foi do trabalho, amou e sofreu. Você, Paulo, teve a possibilidade de vivenciar o valor supremo, ocasião única para dar sentido à existência. Nem Cristo fugiu desta experiência. Ele também sofreu tanto que foi chamado de ?o homem das dores?. Paulo Bandeira também foi um artista que vivenciou na ação a sua profissão. Paulo Bandeira, na sua discrição de militância, nos deixou a lição de que não podemos, nem devemos, calar perante as injustiças, nos ensinando a lição da boa ação. Que Deus, Jesus Cristo, Nossa Senhora e São Marcelino Champagnat encaminhem o professor Paulo Bandeira para o lugar que ele merece, e que também estejam presentes em todos os momentos de nossas vidas, nos protegendo da violência e de todos os males. Que todos consigamos a paz, mas que seja uma paz com justiça. (*) É PROFESSOR E CIDADÃO ALAGOANO

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