Opinião
O Estado
EDUARDO BOMFIM (*) Amadurece, rapidamente, a necessidade de o Brasil adotar novos caminhos em sua orientação macroeconômica. E aqui amigos, uns e outros, que lêem esta coluna, afirmam que escrevo, quase sempre, sobre temas nacionais. Em primeiro lugar, Alagoas não é um país. Muito embora, determinados segmentos das suas elites, ajam como se isto fosse uma república de bananas, tal a forma como que se sentem impunes em todas as formas de desmandos, inclusive em relação à vida humana. O que me lembra a afirmação da economista pernambucana, Tânia Bacelar, hoje atuando na reformulação ou ressurreição, como queiram, da extinta Sudene. Diz ela que este é um problema cultural das elites e que um renomado psicanalista afirmou-lhe que estas possuem uma mentalidade herdeira de quatro séculos de escravidão e um século de libertação. Daí, que a mentalidade escravocrata persiste dominante. Assim é que o Estado é visto por estas como uma espécie de prolongamento da ?Casa Grande e da Senzala?. Então, o problema transcende a visão do lucro, inerente ao sistema capitalista. É por isso que tanto difundem sobre a inoperância do Estado enquanto instituição promotora de políticas eficazes. Sinceramente, eu já não agüento mais ouvir esta falácia, repetida tantas vezes, que até extratos médios, razoavelmente letrados ou bastantes instruídos, entram nesta conversa fiada. Acho que estes absorveram, ingenuamente, este conceito que não sobrevive a uma mínima análise sobre as finalidades últimas das contas públicas. Ou participam das migalhas de um botim de quatro séculos, de acordo com a eminente economista. A grande verdade, a insuspeita verdade, comprovada por qualquer estudo econômico, é que o Estado vem sendo privatizado, na ausência de uma denominação mais severa, de todas as formas e maneiras. Direta e indiretamente, através de repasses explícitos ou ilícitos, proporcionando grandes fortunas ou quando menos, graciosos padrões de vida bem acima da média da população. Devo dizer que esta é uma das causas da absurda concentração de renda existente em um país que é a décima terceira ou décima quarta economia do mundo, mas possui 50 milhões de miseráveis. São os novos escravos assalariados à espera de um Zumbi, ou seja lá quem for. É por isto que o povo mudou em outubro passado. E olhem que não estou me referindo aos banqueiros internacionais ou nativos que auferem, através das maiores taxas de juros do planeta, lucros estratosféricos. Há também outra coisa muito interessante. Os novos senhores das grandes casas de alpendres adoram os colonizadores das grandes metrópoles. É natural. Daí que ao Estado, sobram as imensas dificuldades, deficiências e problemas estruturais de todos os tipos. Quanto ao fato de não escrever sobre o bar da Dedé, ou historinhas gostosas da província, peço perdão. Não tenho traços de cronista. Mas o meu olhar é de alagoano, sim. (*) É ADVOGADO