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Pastoral do d�zimo

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* A Sagrada Escritura é o ponto de partida para o trabalho do Dízimo, entendido por nós, não como esmola, mas como partilha comunitária, tendo em vista a nossa gratidão a Deus, por todos os benefícios concedidos, como nos ensina o apóstolo Paulo, em sua I Carta aos Coríntios. O Dízimo é sinal de gratidão, devolução generosa de uma parte daquilo que de Deus recebemos; é partilha consciente e contribuição responsável. O próprio Deus é amor partilhado em Três Pessoas e que reparte conosco, através da criação, a sua vida, a sua intimidade e os seus bens. O Dízimo não é pagamento, taxa ou imposto que se dá à Igreja para a ela pertencer ou dela fazer parte. A graça de Deus não tem preço, nem todo dinheiro do mundo poderia comprá-la. O Dízimo não é pagamento e sim devolução. Há uma diferença entre Dízimo e Oferta. Dízimo significa 10%, a décima parte, a porção que o fiel consciente entrega à comunidade cristã a que pertence. E oferta tem outro sentido. Ela também brota do coração generoso, como o Dízimo, porém, a oferta é dada sem obrigação, sem normas. Além do compromisso com o Dízimo, os católicos têm o direito de fazer ofertas espontâneas, seja por ocasião da recepção de sacramentos e sacramentais ou outras circunstâncias. Recordamos, aqui, o ensinamento do profeta Malaquias: ?Trazei, pois, todo o dízimo para a casa do tesouro, e haja alimento na minha casa.? (Ml. 3,10). Dessa maneira, voltamos nosso olhar para os primeiros cristãos que tinham tudo em comum. A comunidade primitiva partilhava os bens com generosidade: ?A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma?. Ninguém considerava propriedade particular as coisas que possuía, mas tudo era posto em comum entre eles. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E todos eles gozavam de grande estima. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos.? (At. 4,32-35) O dízimo não significa que darei a Deus qualquer coisa, contudo, deve brotar de uma promessa, de um voto que o contribuinte faz para com Deus. Não é uma afirmação ou reivindicação de direitos. A verdadeira oferta e o autêntico dízimo nascem de uma disponibilidade a toda prova e de uma profunda comunhão eclesial. É uma experiência de amor à comunidade e evoca a consciência sobre as desigualdades sociais e a necessidade de criar relações econômicas justas, para que todos tenham vida digna. Do ponto de vista pastoral, a CNBB nos esclarece que o problema do dízimo não se coloca simplesmente a partir de sua possível rentabilidade econômica. Seria camuflar, sob o título ?Pastoral?, um critério meramente econômico e técnico. É evidente que é também pastoral a preocupação de busca de meios financeiros para a manutenção dos serviços da comunidade cristã. Não é todo sistema de manutenção que será pastoral, como se a mera finalidade a que se destina lhe desse essa característica. E mesmo entre os que pudessem ser aceitos como realmente pastorais, seria ainda preciso julgar e descobrir aquele que, dadas as circunstâncias históricas e culturais, fosse o mais apto para exprimir o sentido religioso e cristão dos dons materiais em benefício da comunidade. Estas considerações sobre o Dízimo nos convidam a uma corajosa revisão do sistema atual de taxas e contribuições, a título de partilha e não de esmola, para a necessária e condigna sustentação do culto e dos ministros da Igreja; para a manutenção das obras sociais e caritativas de nossas paróquias e comunidades. Elas abrem, assim, caminho para medidas pastorais e administrativas visando ao bem da nossa Arquidiocese. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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