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Opinião

Modelos de ensino

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DOM FERNANDO IÓRIO * Não é para admirar que eduquemos, hoje, com valores adquiridos ontem, aquelas pessoas que se preparam para o amanhã. Seria para admirar e até para lamentar, se desprezássemos nós o ontem com tantas riquezas, para nos situarmos só no hoje, que tão pouco conhecemos. Só o conúbio do ontem com o hoje pode ser o alicerce para a educação do amanhã. Por esse caminho transitarão as metodologias de ensino e valores. Se nenhum conhecimento é neutro, da mesma maneira, nenhuma metodologia. É fruto de discutida opção valorativa que apresenta implicações no processo de ensino em que é adotada. Por si, a metodologia do modelo tradicional de ensino atua de maneira dicotômica junto aos sujeitos do ensino. Prepara o professor, para que transmita aos alunos conteúdos a serem verificados com intuito de aprovação, procurando o desempenho de atos profissio-nais individuais, quando muito, trocados com seus pares, mas nunca com os alunos. De outro lado, prepara o aluno para ouvir o conteúdo dos professores, procurando coletá-lo, registrá-lo e reproduzi-lo, individualmente e de maneira teórica, como se fora ordem das autoridades educacionais responsáveis por uma educação que caracteriza uma sociedade patriarcal, de passado colonialista. Por sua vez, a metodologia da comunicação escolar prevê para os sujeitos da educação ? professor e aluno ? uma atuação de parceria, através de relações sociopedagógicas, por meio das quais se realiza a comunicação escolar. Prepara o aluno para tomar decisões conjuntas (entre si e com os professores), no processo de ensino/aprendizagem, na busca do tão decantado exercício da cidadania, fundamentado na capacidade do raciocínio crítico/construtivo/cola-borativo. Deixemos nas encruzilhadas das estradas o modelo colonial/patriarcal que nos formou, na escuta da ordem ditada pelo patriarca que devíamos acatar e seguir. Neste momento de construção da nova ordem democrática, tudo se passa como se tivéramos de nos comportar de maneira inversa: ao invés de uma submissão à ordem de misterioso poder político que se esconde no anonimato na face dos chefes políticos, devêssemos submeter o poder autoritário na educação as nossas ordens. Nessa inversão, nada haveria de incorreto, no modelo de sociedade democrática, se não se perdesse de vista que as ?nossas? ordens, que as autoridades educacionais devem representar e executar, são produtos de estudos e de decisões coletivas e manifestam a vontade de milhares de educadores, vivendo em mutirão para esclarecer a autoria da ?cultura docente?. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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