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Conflitos de Let�cia

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CLÁUDIO VIEIRA * Quarta-feira, 11 de Junho. Chego do Fórum estadual, frustado pela não-realização da audiência. É coisa comum na vida de advogado, mas sempre causa transtornos. Paciência! À minha mesa de trabalhos encontro um envelope. Sobrescrito evidentemente feminino é-me dirigido. Não há remetente, mas, como não me perturbam os receios do antraz, abro-o curioso. Lá dentro, alegro-me, o ópio dos leitores ávidos e contumazes como eu: um livro. Nada menos que o novo livro de Teomirtes de Barros Malta: ?Conflito?. Paro tudo. O trabalho que espere; a leitura daquela preciosidade se impõe desde logo. Ao início da obra, a mensagem gentil e carinhosa da minha ?ex e sempre professora, Teomirtes?. ?Ex e sempre professora?! Tanta coisa dita em poucas palavras... Aquela mensagem evoca-me o passado: Teônia, Teomirtes, o saudoso Padre Teófanes, seus outros irmãos e irmãs. Toda uma família à qual me sinto ligado por laços indeléveis de amizade e gratidão. Ex e sempre professora! Ex e sempre aluno! Admirador, sempre! A obra diz das confidências de Letícia, o desvendar dos seus segredos mais recônditos. Letícia, a laeticia (alegria) triste da mulher-esposa reprimida nos seus desejos mais libertários. Letícia, mãe e esposa dedicada aos filhos e ao marido, por eles abdicando do seu próprio viver, despojada dos seus anseios e carências. Letícia, a viúva, ela mesma repressora do seu desejar. Letícia, a amante vivaz que explode em orgasmo, após anos de entrega à ligeireza do dever responsável, ou de abstinência viúva. Letícia, a amante despudorada e maternal, a quem Tolstoi certamente teria advertido que ?no coração cada paixão é, a princípio, um mendigo, em seguida um hóspede e afinal o dono da casa?. Letícia, a sua própria consciência afinal justificada na paixão por viver. Ah! Quantas mulheres há na mulher? Quantos segredos, paixões recônditas, às vezes adormecidas há no coração feminino, que, ?em silêncio, não pensa em acordar?! Através de Letícia, Teomirtes de Barros Malta, com sua narrativa forte, descontraída e sem falsos pruridos, desvenda algo das multifacetadas almas de mulher, toda essa pluralidade de beleza singular, cada qual única como a rosa sobrevivente do seu jardim abandonado, talvez aquela rosa de Saint-Éxupáry. (*) é ADVOGADO MILITANTE

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