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Opinião

Janisse Albuquerque

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BRÁULIO PUGLIESI * Viver sem ter a vergonha de ser feliz... Esta frase da música imortalizada, na voz de Gonzaguinha, é a mais completa tradução do estilo de ser de Janisse Albuquerque. Ou melhor, que foi. É que nossa convivência, quase diária, durante três décadas, continua tão nítida ainda na minha mente, que não absorvi, de verdade, a sua morte. Janisse foi uma das pessoas mais dignas que eu conheci até agora. Senão, a mais digna de todas. Tinha todas aquelas qualidades que eu admiro no ser humano. Uma delas, era saber ser colocada... Não ultrapassava jamais dos limites. Tem coisa mais admirável?! Além do mais, era movida a dínamo... Não se cansava, nunca. Tivesse uma festa, ela estava lá. Mas adoro aquelas bem divertidas, mistureba, onde ela pudesse encontrar todos os seus amigos das mais diversas camadas sociais, como o Maceió Fest, por exemplo. Nunca perdeu um! Era a mais animada da trupe. Sua alegria, sua energia inesgotável, confesso, às vezes me irritava... Embora, sempre entendi o porquê: gostaria de ser assim, agitado como ela. Mas, minhas pilhas, infelizmente, descarregam, facilmente. Trabalhou do governo Afrânio Lages ao de Divaldo Suruagy, initerruptamente, no Gabinete Civil do Palácio dos Martírios. Nunca viu nada, nunca ouviu nada, nunca falou nada. Jamais deu um furo para jornalista nenhum, nem para os seus melhores amigos. Tinha os vestidos da festa de posse de todos eles, pendurados nos cabides do guarda-roupa. Muitas vezes brinquei com ela: Jana, vamos leiloar todos esses vestidos, com renda revertida a uma causa nobre... ? e ríamos às gargalhadas. Outra coisa, que deve ficar bem claro, toda essa intimidade de anos e anos com o poder, nunca lhe rendeu nada, no quesito material. Como uma boa bancária, com uma bela aposentadoria, influência política e afins. Apenas a amizade com as famílias desses governantes foi o que ela preservou até o fim. Janisse, atuando como lobista, nem pensar! Seus valores eram outros. Católica, praticante, manteve a sua dignidade até em saber morrer. Descobriu a sua enfermidade já em estado avançado, mas preferiu silenciar de todos. Divertiu-se, intensamente, nos seus últimos dias, como se cada um deles, fosse o último. Organizou-se, cuidadosamente, como naquelas inúmeras viagens que fizemos juntos, com Maria Cândida ? sua melhor amiga -, seja para algum compromisso festeiro, ou pelo simples prazer de viajarmos juntos Brasil afora, e ficarmos os três, no mesmo quarto, dividindo as nossas alegrias. Você sabe o estrago que nos causou, com essa sua ida tão súbita, não sabe Jane Girl? Como lhe chamava carinhosamente Andréa Moreira. Bye-bye minha amiga-irmã-querida. Até o dia em que nós iremos nos esbarrar, outra vez, claro, para colocar nossos papos em dia. (*) É EDITOR DA COLUNA BIP

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