Opinião
Onde encontrar paz?
LYSETTE LYRA * PAZ! Três letras tão singelas! Sentimento tão almejado! Porém tão ultrajado desde o começo do mundo! Será que algum dia o ser humano conseguirá gozar dessa felicidade? Não dessa ilusória paz em que vivemos, mas a verdadeira, a autêntica! Será que esse estado de espírito nunca deixará de ser uma utopia, jamais alcançada plenamente? Conta a Bíblia que Adão, cansado da solidão e da tranqüilidade monótona do Paraíso pediu uma companheira, e Deus o atendeu. Criou Eva, para partilhar de seus dias. Mas sua paz nada durou. A mulher levou-o a desobedecer às ordens do Senhor, e ambos foram expulsos dos Jardins do Éden. Receberam como punição: o fraco Adão, teria de ganhar o pão com o suor de seu rosto, e a tentadora Eva, teria que parir os filhos com dor. Tiveram dois rebentos que, no correr da existência, se desentenderam por ciúme e ganância, terminando Caim, por matar seu irmão Abel. Daí até nossos dias uma série de turbulências tem agitado a humanidade tirando-lhe a bonança. Consultando a história, vemos que o homem sempre usou seu poder para conquistar e subjugar os mais fracos. Movidos pela ambição, pela inveja, por fanatismos religiosos ou ideológicos, sempre, em todas as épocas, foi responsável pelo desassossego no mundo. Quando os governos aprenderão a manipular a linguagem pacífica em vez de usar a dos canhões? A ignorância, as desigualdades sociais para as quais grande parte dos políticos e da sociedade se mantêm, quase sempre, totalmente apáticos, é, muitas vezes, o motivo das rebeliões e terrorismo que sacodem tão preocupantemente, o mundo de hoje. O uso da droga é, atualmente, uma das maiores e mais inquietantes causas da perturbação da paz. Traficantes de drogas, na ambição do enriquecimento fácil, não se intimidam em espalhar essa desgraça, sobretudo entre jovens, não obstante, o combate intenso dos governos do universo inteiro. O dinheiro corrompe e destrói a moral das pessoas malformadas e necessitadas, as quais se tornam facilmente iludidas por suas atraentes propostas. O drogado, envolvido pelos efeitos danosos dessas substâncias, se transforma, às vezes inconscientemente, num delinqüente, tirando a tranqüilidade de tantas criaturas em todo mundo. Pessoas malsucedidas, ou portadoras de alguma carência, mergulham em comovedoras crises de depressão, enquanto outras, dominadas por sentimentos obsessivos, se tornam totalmente neuróticas, até mesmo delituosas, causando danos aos seus semelhantes. A falta de paz interior, desespera o ser humano fazendo-o bastante infeliz. Não satisfeita com tanta inquietação, a humanidade inconsciente de sua responsabilidade, destrói o meio ambiente, se apossa das riquezas naturais, indiscriminadamente. Dizima florestas; polui rios, lagos e mares; agride o solo; mata os animais; tudo isso obedecendo egoisticamente sua sede de cobiça. E a natureza revida os insultos castigando o homem com as extremas variações climáticas, que tantos estragos causam à terra, e, ainda lança contra o nosso orbe, o furor de seus vulcões que explodem em lavas e cinzas incandescentes; o horror de seus terremotos que espalham tanta desgraça; a violência de seus furacões endoidecidos, que sopram as cidades, matando e devastando tudo que encontram em sua fatídica passagem; ou engole regiões inteiras com impiedosas ondas monstruosas.. Quanto mais cresce a sociedade, quanto mais conhecimento adquire a ciência, com novos inventos e mais sofisticados, mais estimulados se tornam os seres malformados no sentido de usá-los para saciar seus perversos instintos. Na ânsia de usufruir tantas comodidades, o homem ambicioso despreza, sem nenhum pudor ou constrangimento, os mais sagrados princípios morais. Muitas vezes a irresponsabilidade o leva a causar seu próprio infortúnio. Como se não bastassem tantas preocupações, as criaturas ainda têm que lidar com as doenças. Há sempre novos males rondando a humanidade, para lhes tirar o sossego. As pessoas vivem, hoje, em suspense, sempre receosas do porvir. Enfim, para ter uma paz plena, seria preciso, realmente, vencer todos esses inúmeros flagelos. Então sim, desfrutaríamos dessa verdadeira tranqüilidade por que todo ser humano aspira profundamente. (*) MEMBRO DO GRUPO LITERÁRIO ALAGOANO E DA ABRAJET