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Opinião

Cidadania alvejada

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Em noticiário extraordinário, a imprensa abriu espaço para mais um assalto seguido de morte. Essa notícia trágica foi inserida num momento onde a cobertura jornalística brasileira mantinha seus focos sobre duas reuniões importantes para a economia ? a discussão sobre o Mercosul, no Paraguai; e o encontro do Copom, onde foi baixada em 0,5% a taxa de juros. Todas as três notícias reportavam-se a assuntos específicos da Presidência da República. A que mais chamou a atenção foi a de um momento que deveria ter sido banal na vida privada da família do presidente da República. Banal, afinal, estão os assaltos à mão armada, em todo o Brasil. Mas não há como considerar banal um assalto cujo objeto do crime é um veículo onde viajava o filho do presidente da República. Menos banal ainda é o fato de que esse assalto degenerou para o frio fuzilamento dos dois seguranças da Presidência da República. Um dos militares morreu, o outro ficou ferido. Os dois militares foram alvejados, depois de se identificarem como membros do Exército brasileiro em missão de segurança de familiares do presidente da República. Alcir José Tomasi, 35 anos, subtenente do Exército, recebeu um tiro na nuca, na forma odiosa da execução sumária. Morreu horas depois, no Hospital Municipal de Santo André, na Grande São Paulo. Nivaldo Ferreira dos Santos, 30 anos, conseguiu reagir e fugir, levando dois tiros, um na mão outro no tórax. Felizmente, está sobrevivendo sob cuidados médicos no mesmo hospital. Retratos do mesmo Brasil. Apesar dos esforços da Presidência da República, pouco se avança na consolidação do Mercosul; quase nada se avança na questão dos altos juros; mas o crime organizado avança a passos largos, sem limites, sem respeito a quem quer que seja. Os tiros sobre os militares do Exército alvejam a segurança da Nação. Confirmam que a autoridade do Estado nada vale para um submundo que se expande a cada dia, a cada fracasso das políticas sociais e a cada sucesso de um modelo baseado numa formulação econômica excludente. É hora de se dar um basta a tudo isso. É hora de se entender a profundidade do buraco onde o Brasil está metido.

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