Opinião
Estabilidade cara
Pela primeira vez, o governo do presidente Lula reduziu a taxa básica de juros (Selic). Nesse início de gestão, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), houvera um aumento da taxa Selic de 25% para 25,5% ao ano, e, na reunião seguinte, para 26,5%. A redução de meio ponto percentual na taxa Selic, se é insignificante para alterar o desempenho da atividade econômica, pode ser considerada um simbolismo marcante para aqueles que esperam uma política econômica mais voltada para a promoção do desenvolvimento. O conservadorismo do BC impediu que nesta reunião a taxa de juros sofresse uma redução maior. É um dilema para as autoridades econômicas do governo a adoção dos próximos passos: continuará a curva descendente dos juros ou não? E as metas de inflação para este ano (8,5%) e o próximo (5,5%), excessivamente baixas, serão alteradas? Dentro do próprio governo, alguns defendem uma meta mais próxima da realidade, enquanto os ortodoxos argumentam que uma alteração iria desmoralizar o BC. O caso é que o estabelecimento de uma meta tão pequena de inflação para este e o próximo ano requer uma política monetária restritiva ao crescimento econômico de que tanto o País necessita. Os resultados dos primeiros indicadores sociais e econômicos do governo Lula indicam que a situação está potencialmente explosiva e requer uma alteração de rumo, que não será possível se mantidas forem as citadas metas inflacionárias. Até agora, o núcleo central da política econômica do governo ? o BC e o Ministério da Fazenda, têm se mostrado reticentes a qualquer alteração nas metas de inflação. O ministro da Fazenda chegou a dizer, depois da redução da taxa Selic, que a medida ?é um sinal efetivo de que a inflação caminha definitivamente para as metas estabelecidas pela equipe econômica?. Quer dizer o ministro que o governo vai perseverar na senda do arrocho e na consideração do desenvolvimento como meta secundária. Nesse caso, a ?estabilidade? continuará a cobrar um preço muito caro à Nação.