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Preocupa��o

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MILTON HÊNIO * Nos dias atuais, o homem brasileiro carrega consigo um inimigo invisível que lhe rouba a tranqüilidade de espírito, suga-lhe as forças, impede-o de conciliar o sono, retira da vida a alegria, provoca-lhe doenças. É um inimigo perigoso porque vai minando o seu sistema imunológico ? chama-se preocupação. Preocupação significa inquietar-se, sofrer antes do tempo. É o que está acontecendo, hoje, com uma grande parte da população brasileira, que vive sofrendo pensando no dia de amanhã. A preocupação é uma invasão do futuro, de um futuro cujas ameaças estão apenas em coisas imagináveis. Diz o doutor Hans Sylie, o estudioso do estresse, que a maior parte de nossas preocupações são juros pagos adiantadamente. Leio nos comentários das revistas médicas, que atualmente 86% do povo brasileiro vive muito preocupado com algum problema: a educação do filho adolescente, dívidas, vencimentos minguados para as despesas do lar, doenças diversas com ele ou alguém da família, insatisfação no trabalho, separação do casal etc. Assistimos pela televisão aos encontros havidos, ultimamente, por diversas classes sociais como juristas, militares, professores universitários e funcionários federais, dentre outras, preocupadas com o futuro de suas vidas após a reforma da Previdência Social, pretendida pelo presidente Lula. É que quando o indivíduo chega na idade da aposentadoria, naturalmente pensa no descanso remunerado. Há o exagero em muitos casos, inegavelmente, mas a maioria das pessoas recebe o mínimo necessário para uma sobrevivência apertada. É que nós plantamos e queremos colher os frutos. E muitos são os frutos que cultivamos em nossa vida. Esperamos o envelhecimento como uma dádiva e temos direito a uma aposentadoria condigna. Quando a gente envelhece chegou o tempo para se fazer coisas. Coisas que não foram feitas por falta de tempo. Quando atingimos 60 anos ou mais, já aposentados, precisamos de tempo para polir, aperfeiçoar e enriquecer a vida. Porém, só podemos viver com uma certa alegria se não tivermos preocupações que atrapalhem. Lembrei-me, agora, de um conto indiano em que um jovem sábio oriental encontra na estrada um velho ancião e lhe mostra a relação dos bens mortais que ele considerava imprescindíveis para um homem ser feliz. O velho ancião olhou atentamente a relação escrita pelo jovem: saúde, amor, beleza, talento, poder, riqueza e fama. E, com um sorriso gentil, disse ao jovem: ?Vejo sua relação das necessidades que levam à felicidade; entretanto, faltou a principal, sem a qual toda essa lista apresentada não tem valor ? é a paz de espírito. E o jovem sábio saiu convencido que ele tinha razão. Do ponto de vista médico, posso lhe assegurar, caro leitor, que um dos maiores malefícios causados pela preocupação naquele indivíduo onde ela já está instalada, é o de perturbar suas funções intelectuais. Não consegue raciocinar com clareza e perde o humor quando a preocupação o atinge. O que fazer, então, quando estamos preocupados e achando que não há solução para o nosso problema? A melhor, a mais lógica, é apelar para o Cristo, pois Ele se dispôs a nos ajudar, quando disse: ?Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei?. Vamos caminhar amigo. Uma longa estrada, se Deus quiser, você ainda tem pela frente. Belas paisagens estão ao seu lado. Não deixe a preocupação tirar seu ânimo. É só seguir em frente, ao ritmo da fé e da esperança. Pés no chão e olhos no céu, sempre sonhando com um futuro feliz, apesar dos obstáculos. (*) É MÉDICO [email protected]

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