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O FMI e os bancos

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Poucos são os brasileiros que desconhecem as funções básicas de um banco ? a guarda de dinheiro ou valores e a concessão de empréstimos. Existem diversos tipos de bancos, só para citar alguns: bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, bancos de investimentos, etc. Nenhum foge desta premissa basilar de estocar e movimentar dinheiro, ainda que cada tipo conserve especificidades próprias da área a qual se dedica. Outro quesito comum a todas as instituições bancárias é o spread ? diferença entre a taxa que o banco paga para captar recursos e a que ele cobra ao emprestar o dinheiro. Aqui no Brasil, tem sido dito que o spread é muito alto e inibe a obtenção de empréstimos. Autoridades econômicas do governo Lula têm apelado para que os bancos brasileiros diminuam as taxas de juros cobradas de pessoas físicas e jurídicas. Coube, porém, ao insuspeito Fundo Monetário Internacional (FMI), a divulgação de um documento em que afirma que os bancos brasileiros agem como oligopólios, ou seja, um punhado de empresas dominam o mercado e acertam entre si áreas de atuação, limitação da concorrência e da competição e fixação dos preços dos serviços, inclusive os tais spreads, ampliando em muito a margem de lucro. O estudo do FMI levou em consideração, entre outros aspectos da realidade das instituições bancárias brasileiras, o baixo volume de empréstimos concedidos. Enquanto no Brasil os ativos dos bancos equivalem a 77,1% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no País) e geram empréstimos de apenas 24,8% do PIB, nos Estados Unidos, representam 77,3% do PIB americano, mas geram empréstimos na ordem de 45,3%. Os bancos brasileiros não deixaram de emprestar, mas o fazem muito pouco. Como demonstrou o estudo do FMI, eles preferem aplicar os recursos em títulos do governo, por possuírem retorno mais elevado que os empréstimos concedidos. A combinação de juros altos, depósitos compulsórios elevados e as instituições bancárias transformadas em operadoras do mercado de capitais, só poderia resultar nisso: escassez de recursos e crédito muito caro. E agora, FMI, o que você sugere?

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