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Dados intoler�veis

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou, ontem, dados de um relatório sobre a situação das crianças. Classifica como intoleráveis as desigualdades existentes no Brasil. E observa que essas diferenças são encaradas com naturalidade por grande parte da sociedade, porque já existe há muito tempo. Matéria produzida pela Agência Estado traz vários dados constantes do estudo do Unicef. Um deles mostra, por exemplo, que uma criança nascida no Acre tem 29 vezes mais probabilidade de morar numa casa sem água do que aquelas nascidas em São Paulo. A própria representante do organismo internacional no Brasil, Reiko Nume, diz que é preciso romper esse ciclo vicioso em que crianças crescem e transmitem a seus filhos as mesmas limitações. E documento dá a fórmula que deve ser usada para mudar essa realidade: uma solução efetiva e sustentável para a pobreza que pode ser encontrada com ?visão multidimensional?. Esperamos que o País não demore a executar as ações necessárias neste sentido, a partir de discussões que devem ser realizadas com mais freqüência com vista ao combate das causas e efeitos da pobreza e da miséria. Não faltam oportunidades para isso. E novas podem surgir. Inclusive por iniciativa do Unicef que pretende discutir, com integrantes do governo, fórmulas de tentar combater essa exclusão durante o 1o Seminário Criança Esperança que começa hoje em Brasília. Não será por falta de alternativas e de recursos financeiros, até porque milhões continuam sendo desviados ou desperdiçados, que as desigualdades continuarão crescendo e concorrendo para o agravamento de outros problemas no País. Mas é preciso que, no rol de propostas voltadas para a área social, todos os setores empenhados na busca das melhores soluções dispunham de estatísticas confiáveis. Principalmente em relação ao contingente de miseráveis no País. Até porque as autoridades do governo federal não sabem se temos cerca de 22 milhões, 25 milhões, 30 milhões os mais de 45 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza espalhadas pelo território nacional.

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