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Opinião

Medidas paliativas

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Contrariando todas as expectativas e frustrando até mesmo os banqueiros, o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, na semana passada, a taxa básica de juros em apenas 0,5%. A Selic, que antes era de 26,5%, caiu para 26% ao ano. Na prática, essa redução não significa nada. O efeito é quase zero, principalmente no bolso do consumidor. Os tecnocratas do governo, liderados por Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, acreditam que manter os juros altos é a única maneira eficiente de conter a inflação. O desemprego está aumentando, a economia está esfriando, o país beira uma recessão. Mas, tudo bem, desde que se controle a inflação. Esta tem sido a filosofia do governo Lula desde o primeiro dia. Na contramão dessa política econômica com cara e gosto de FHC, o Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, decidiu esta semana reduzir os juros básicos norte-americanos de 1,25% para 1% ao ano, o mais baixo dos últimos 42 anos. A maior economia do planeta, com medo da recessão, tem reduzido sem nenhum escrúpulo sua taxa básica de juros. É a 13ª vez desde janeiro de 2001 que o Fed reduz as taxas de juros do país. Em janeiro de 2001, a taxa era de 6,5% e passou para 6%. Com a redução dos juros, o governo americano espera uma retomada do crescimento da economia na expectativa de incentivar a produção e reduzir a taxa de desemprego de 6,1%, que atinge 8,8 milhões de trabalhadores americanos. No Brasil, o desemprego é maior, proporcionalmente e também em números reais. Ainda assim a taxa de juros brasileira é 26 vezes maior do que a norte-americana. Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa demonstração de que começa a sentir a pressão que vem das ruas e até das elites, anunciou medidas para estimular o mercado de microcrédito no Brasil, fortalecer as cooperativas de crédito e para forçar os bancos a reduzirem os juros cobrados em operações bancárias. A iniciativa do governo é louvável, na medida em que pode facilitar o acesso da população ao sistema bancário. Mas é totalmente ineficaz para baixar os juros. Na prática, apontam analistas, é apenas mais um paliativo para diminuir a pressão e ganhar tempo até a próxima reunião do Copom.

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