Opinião
Outorga do p�lio
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* Ao falar aqui de pálio, é possível que a sua mente aflore logo a lembrança de uma renovada marca de carro. Mas, na verdade, o pálio aqui é outro, como veremos. Em sete de agosto de 2002, eu escrevia: ?Ao iniciar esta minha primeira Carta Pastoral, como arcebispo Metropolitano de Maceió, reitero meus sinceros sentimentos de total obediência e comunhão ao santo padre João Paulo II, que me chamou ao episcopado e me confiou o governo e a direção desta Igreja particular de Maceió. A ele, também minha admiração e minhas preces ao senhor: ?Dominus conservet eum et vivificet eum? (O Senhor o conserve e lhe dê forças). É exatamente dentro do sentido de comunhão, que se explica a tradicional cerimônia da outorga do pálio, feita anualmente, pelo papa, a cada novo arcebispo do mundo inteiro em Roma, na festa de São Pedro, quando se celebra o dia do papa. Mas o que é então o pálio? Qual a sua história e sua origem? Enfim, qual o seu significado e sua importância? Em primeiro lugar, trata-se de um ornato litúrgico usado pelo papa, pelos arcebispos e, às vezes, por privilégio, mesmo por um bispo, desde o século VI. Consiste, basicamente, em uma fita estreita, de lã branca, em forma de anel, com seis cruzes de seda preta, a ser colocada nos ombros sobre os paramentos, com duas pontas que finalizam numa peça de seda, pendentes na frente e nas costas. Inicialmente, era um pano dobrado ao longo e daí a origem do seu nome. A lã do pálio é de dois cordeiros, bentos na festa de Santa Inês. Depois de preparados, os pálios são depositados no túmulo de São Pedro até o momento da entrega. Pelo fato de ser feito de lã de cordeiros, o pálio lembra ao arcebispo as virtudes do bom pastor no exercício de sua jurisdição. As circunstâncias de sua origem e de sua preparação acentuam seu significado profundo, sua importância e seu simbolismo. O pálio é o símbolo de comunhão e de unidade do arcebispo e de sua Igreja particular com o papa. Por isso, sua outorga é realizada pelo papa, normalmente na festa de São Pedro. Portanto, é sob esta forte motivação, que, como arcebispo de Maceió, vim para Roma participar, juntamente com outros arcebispos do mundo inteiro, da solenidade de entrega do pálio, reafirmando minha total fidelidade e comunhão eclesial com João Paulo II, bispo de Roma e pastor universal da Igreja. A unidade de Igreja dá-se na diversidade universal das Igrejas pela força do Espírito Santo. Quero, pois, aqui em Roma nesta solene cerimônia, unido ao rebanho que Deus me confiou, afiançar ao papa, pastor maior, minha comunhão pessoal e de toda a Arquidiocese de Maceió. Esta solenidade sugere-nos oportunidade para uma reflexão e aprofundamento sobre o tema da unidade e da comunhão eclesial para toda a Igreja e entre nós. Elas constituem uma das prioridades do nosso governo e ação pastoral. Elas correspondem também às profundas aspirações de Jesus que em suas orações assim rezava: ? Pai, que todos sejam um como tu e eu somos um?... ? e haverá um só rebanho e um só Pastor?. Também João, o discípulo amado, que conheceu e experimentou a riqueza e a força unitiva do amor, comunhão, nos anuncia e exorta à comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo, no Espírito Santo, para que a nossa alegria seja completa. Comunhão que se manifesta visível na Igreja através do relacionamento afetivo e efetivo dos pastores e dos seus membros entre si e da ação pastoral impulsionada pela caridade. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ