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Opinião

Desejo urgente

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DOM FERNANDO IÓRIO * Não poucas vezes, existem pessoas, no meio em que vivemos, com o desejo urgente de possuir aquilo que não lhes pertence. Pessoas há que, ao receberem notícias vitoriosas de amigos, questionam-se por que aquilo não aconteceu com elas... Se vêem alguém construir sua residência querem ter uma igual, a todo custo. Percebe-se a inveja quando existe um sentimento de incapacidade diante do querer ter algo que pertence a outro, ou de querer ser aquilo que o outro é. Conhece-se o invejoso pelo semblante de desconforto, de insatisfação, de desolamento, de ansiedade. Em alguns, reflete-se a inveja nos olhos fixos e arregalados. Se não for patológica, manifesta-se a inveja, quando a pessoa está em fracasso, em baixa. Invejam-se os bens alheios, quando alguém está sem dinheiro, desempregado. É o momento de o invejoso erguer-se na procura do que não lhe pertence. Vivendo insatisfeito com o que tem e como que é, está sempre o invejoso valorizando e desejando o que é dos outros, dificilmente o que é seu. Também não lhe sobra tempo para cuidar da própria vida. O maior sinal de que a inveja está caminhando para a patologia é quando o invejoso começa a alimentar o ódio diante do invejado, procurando destruir aquilo que não possui ou reduzir a fama do invejado como se dissesse: já que eu não tenho, que ninguém tenha; já que eu não sou, que ninguém seja. Atualmente, num mundo competitivo, o recinto de trabalho tornou-se intenso reduto de invejosos. Promova-se alguém e no íntimo do invejoso inicia-se aquela raiva velada, que se revela nas sabotagens visando minar o trabalho do agraciado. Para o invejoso, a sociedade lhe está devendo alguma coisa, já que vive conspirando contra ele, dando a uns o que lhe falta. No Gênesis, encontramos Caim roubando, por inveja, a vida do seu irmão, Abel. Ainda José, vendido por seus irmãos que o invejavam. Na tragédia shakespeariana, Iago, absorvido pela inveja, induz Otelo a, por ciúme, assassinar sua bela esposa, Desdêmona. Conta a lenda que monstruosa serpente resolveu perseguir um pobre vaga-lume. Apenas anoitecia, sentia o vaga-lume tremendos golpes que vinham da terra ou dos troncos das árvores. Percebeu o vaga-lume que terrível serpente tentava matá-lo, jogando seus botes. Chegou a oportuna ocasião de o vaga-lume perguntar: por que você, tão monstruosa, me persegue? Sou pequenino, tenho apenas uma luz que se acende nas trevas. Por que você me persegue?... - Persigo, porque não posso suportar o seu brilho. Não suporto ver você brilhar. Não deixa de ser verdade: Nem sempre suportamos ver os outros brilhando. É o momento de revertermos o jogo, fazendo a inveja trabalhar a nosso favor. Transformemos a chama da inveja em munição para a luta em favor do que queremos possuir, do que queremos ser. Procuremos lutar para possuir, com os próprios esforços, aquilo que invejamos nos outros. (*)É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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