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Um homem not�vel

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JOSÉ MEDEIROS q Sabedoria, simplicidade, erudição, alguns dos substantivos que me vêm à mente quando releio trabalhos sobre Arthur Ramos, o médico-cientista alagoano que está sendo reverenciado no transcurso do seu centenário. Sua produção científica foi incomparável, porém, em nada supera sua batalha pelos direitos femininos ou no combate sem tréguas que empreendia contra as injustiças de que estimas negros e indígenas. A formação de seu espírito humano esteve sempre a serviço das melhores causas do País. A dimensão humana de Arthur Ramos é tão delimitada quanto sua obra científica. Quando escrevo sobre esse mestre do ensino da pesquisa move-me a comovedora admiração que tenho por esse pilarense, que se tornou reconhecido em nível internacional. Mesmo tendo vivido apenas 46 anos, Arthur Ramos produziu extensa obra científica e cultural. Tão extensa que ao ser estudada nos tempos atuais, tem-se a impressão de que 100 ou 120 anos, se fossem vividos, ainda seriam insuficientes para tantas pesquisas, estudos e escritas. Nos anos de 1930 a 1949 ? fase de sua intensa produção intelectual ? não havia computadores, os temas eram redigidos à mão ou numa antiquíssima máquina datilográfica. Relata-se que, muitas vezes, ele escrevia deitado, de tão cansado que se encontrava. Esses fatos estão sendo lembrados por ocasião do centenário de nascimento de Arthur Ramos. Ele fez história como psiquiatra, professor universitário, cientista social, antropólogo e folclorista. É considerado o maior especialista em cultura negra na América Latina. Deixou mais de 350 trabalhos científicos e 23 livros publicados de resgate da memória desse ilustre conterrâneo, tornando mais conhecida sua vida e sua obra. Foi muito oportuna a publicação da pesquisa histórica ?Arthur Ramos, significativas passagens?, do médico-escritor Dídimo Otto Kümmer. Um primoroso estudo. Esse livro tem sido o texto básico nas escolas que participam do concurso literário-biográfico sobre Arthur Ramos. A admiração intelectual de Dídamo e Edméia (esposa) pelo homenageado é tão grande, que batizaram seu primogênito com o nome de Arthur. Outro considerável reforço à documentação sobre o cientista pilarense é a publicação do livro ?Relembrando Arthur Ramos?, de autoria do magistrado, escritor e jornalista Antônio Sapucaia. Tive a honra de prefaciá-lo. É coletânea de artigos, estudos e ensaios sobre a obra e a história desse médico, agora centenário. É enriquecida com textos precisos da lavra de Jorge Amado, Gilberto Freire, José Lins do Rego, Aurélio Buarque de Holanda, Théo Brandão, Gilberto de Macedo, entre muitos outros. Arthur Ramos morreu em Paris, em 1949, no exercício de relevante função cultural. Foi reconhecido pela Unesco por seu valor pessoal e pela profundidade de sua obra científica. Soube ser cientista sem perder de vista a universidade da criatura humana que, como psiquiatra de origem, soube compreender e relevar. Bem merece as homenagens que lhe estão sendo prestadas. (q) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DA SAÚDE

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