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Opinião

Desdizendo

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Menos de uma semana depois de o governo federal ter anunciado, por intermédio do Ministério das Comunicações, o parcelamento do aumento das tarifas telefônicas e ser desmentido pelos fatos, agora foi a vez da ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, falar em vão. Não decorreram 24 horas de seu anúncio de redução do preço dos combustíveis e o dito ficou pelo não dito. A ministra havia informado que o preço dos combustíveis iria, ?muito provavelmente?, sofrer uma queda e que o percentual de redução, seria ?possivelmente, muito provavelmente? anunciado nesta semana. A notícia nem chegou a esfriar e aquela autoridade teve de recuar e se desdizer. A alegação oficial para o retrocesso foi uma greve que está ocorrendo na Nigéria. Aquele país africano é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e principal exportador do combustível para o Brasil. Irônico, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que ?os grevistas não entraram em contato com o governo brasileiro para avisar que iam entrar em greve?. Já o todo-poderoso ministro da Fazenda, Antônio Palocci, foi mais explícito: ?Não havia previsão de redução. O que a ministra deve ter informado é que havia um diálogo nesse sentido?. E fim de papo. O motivo apresentado pelo governo para retroceder da decisão anunciada, segundo especialistas no setor, não teria relação com a greve na Nigéria, pois os contratos de importação firmados pela Petrobras com aquele país não foram afetados pela paralisação, além do que, no mercado internacional, os preços sofreram redução nesta semana. É mais verossímil a explicação de que a resistência da área econômica do governo em permitir a redução no preço dos combustíveis teria relação com o lucro recorde da Petrobras no primeiro trimestre deste ano. O lucro da estatal foi de R$ 5,5 bilhões, que serviu como reforço do caixa do Tesouro Nacional e é um dos principais componentes com que o governo conta para atingir a meta do superávit primário. É a primazia do econômico sobre o social, tão do agrado do FMI. De uma forma ou de outra, esqueça o sonho da redução do preço dos combustíveis.

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