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O plano e a realidade

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Foi realizada, na semana passada, mais uma rodada de discussões sobre a proposta do Plano Plurianual (PPA) do governo Lula. Nessa oportunidade, o debate contou com a presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, num reforço da importância conferida pelo governo federal ao processo. Nos últimos governos, o Plano Plurianual assumiu a feição de pura peça de ficção e marketing, servindo apenas para cumprir a exigência constitucional. Isso representou um grande problema para o Brasil. A louvável iniciativa ? de retomar o planejamento governamental ? merece, porém, algumas considerações. Nos últimos 30 anos, com pequenos intervalos, faz parte da história econômica do Brasil um certo conflito de interesses entre os ministérios do Planejamento e o da Fazenda. Quando isso aconteceu (quase sempre) houve supremacia inequívoca das finanças sobre o pensar. O então czar da economia, como era conhecido o ministro Delfim Neto, foi transformado num sinônimo desse poder durante a época do regime militar (onde, ressalve-se, em determinados momentos houve planejamento que possa ser considerado como tal). Mas hoje o peso do doutor Palocci lembra o antigo czar dos tempos onde ?o bolo vai crescer primeiro, para ser dividido depois?. Hoje as questões sociais continuam subordinadas aos objetivos da política econômica. Denominado de ?Brasil de Todos?, o PPA do governo Lula para o período 2004-2007 tem como principais metas a inclusão social, a redução das desigualdades sociais e crescimento econômico com geração de emprego. A base para que as outras metas possam ser alcançadas projeta crescimento de 3,5% para o próximo ano. O ?espetáculo de crescimento? prometido pelo presidente Lula, para começar neste mês de julho, corre o risco de ser uma ópera bufa. Se confirmadas as estimativas do próprio Banco Central, o país crescerá apenas 1,5% neste ano. E a maioria dos especialistas aponta com firmeza que a capacidade de o Brasil crescer a taxas superiores ao último decênio estaria limitada pelos baixos níveis de investimentos público e privado. Será que já vimos esse filme?

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