Opinião
Exporta��o
HUMBERTO MARTINS * Um dado que ajuda a entender perfeitamente a importância das exportações é o fato de elas serem, no atual estágio da vida brasileira, a diferença entre crescimento e estagnação, entre progresso e retrocesso. Se as exportações não ocorressem, com tanto vigor, no País, estaríamos com o Produto Interno Bruto, PIB, - soma de tudo que se produz e dos serviços realizados no Brasil ? em queda. As exportações começaram a crescer no Brasil, com a queda no valor do real, observada no período final do governo FHC. Com a desvalorização do real, os produtos brasileiros ficam mais competitivos no mercado internacional, porque se tornam, repito, menos valorizados. Mas mesmo após a reação da moeda nacional, observada desde a pose do atual presidente da República, o fluxo de exportações se manteve alto, garantindo apreciável salto no balanço do comércio exterior, que é a diferença entre o valor do que um País exporta e do que importa. O incremento das exportações e das importações, que é o intercâmbio entre o que todas as nações produzem, é uma das conseqüências da globalização da economia mundial, acentuada nos últimos 20 anos. Antigamente, as nações se concentravam nas exportações de dois ou três produtos. O Brasil era exportador de café, a Argentina, de carne e trigo, o Chile, de estanho, e assim por diante. Hoje em dia, as exportações generalizam-se. Existe uma série de fatores que influem no êxito da balança comercial, porque o custo final das mercadorias, depende do que se paga sem salários, tributos, energia, transporte, juros de capital e uma série de outros componentes. Esses componentes devem refletir a realidade, não podendo ser alterados com artifícios que modifiquem os custos, exclusivamente, para as exportações, o que é condenado pela Organização Mundial de Comércio, OMC, organismo que fiscaliza e regula o relacionamento comercial entre as diversas nações. Há quatro décadas, a grande força das exportações brasileiras residia em produtos agrícolas, tais como café, açúcar e suco de laranja, entre outros. A esses produtos agrícolas acrescentaram-se, com participação formidável, a soja e os resultados do criatório de frangos, suínos e gado bovino. Além do que, o Brasil passou a exportar também produtos industrializados, como automóveis, caminhões, eletrodomésticos e até aviões. Nos últimos meses, nosso País rompeu o âmbito do comércio tradicional, com os Estados Unidos ? principal importador ? e a Europa, ingressando, significativamente, no mercado chinês, constituído de mais de um bilhão de habitantes. O reflexo das importações, no mercado interno, tem que ser acompanhado com todo cuidado pelos setores encarregados de fiscalizar a inflação e o abastecimento. Aumentos de exportação, em grande escala, de determinados produtos, elevam seus preços no mercado interno. E o ingresso de dólares em grande escala, convertidos em reais, aumenta o meio circulante, excitando os riscos inflacionários. É a complexa máquina da economia, que mais complicada se torna com a globalização. A grande importância das exportações, além de ampliar as relações internacionais, é garantir o desenvolvimento nacional com mais oportunidades de emprego. Exportação não é apenas mandar transportar para fora de um país, artigos ou produtos nele produzidos, representa, na verdade, crescimento econômico com Justiça social, já que busca reduzir as desigualdades entre os povos, contribuindo, assim, para os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL