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Opinião

A crise das m�os

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DOM FERNANDO IÓRIO * Não são poucas as crises por que passa o nosso mundo: - crise ecológica: destruição de florestas, poluição de córregos, igarapés e rios, lagos e mares com produtos químicos envenenados; são espécies inteiras de animais reduzidas ao mínimo e próximas da extinção, o ar contaminado, o espaço poluído, na iminência de tornar impossível a vida no planeta; - a crise energética: apenas em um ano, quase que destruímos aquele patrimônio energético que a natureza exigiu milhões de anos para reunir; - crise de equilíbrio: na verdade, o equilíbrio de partilha se desmorona, o equilíbrio psíquico se desfaz, o número de neuróticos e psicóticos se multiplica constantemente. A solidão, a insatisfação, a ansiedade, a insegurança agem nas zonas, tradicionalmente, calmas da humanidade; a crise ética ? tudo advém de ter o ser humano perdido a lucidez na distinção entre o bem e o mal e ter ultrapassado fronteiras que alarmam até os cientistas (manipulação de genes, clonagem...); - crise da solidariedade ? crise extremamente grave, das mãos que já não se apertam, nem se procuram, nem mesmo se abrem às necessidades dos outros. Crise das mãos que não se doam aos carentes, como as de Jesus de Nazaré; crise das mãos que não enxugam lágrimas, que não aliviam a dor, que não abraçam os desprezados, que não partilham o pão cotidiano. Há olhos que se iluminam apenas com um forte aperto de mão, como os de um conhecido meu emocionado, com um aperto caloroso de mão de alguém que, fazia tempo, que não via: ?Há 30 anos ? afirmava ele ? que ninguém me apertava a mão dessa maneira?, chorando de alegria. Quantos apertos de mãos não valem como Quimioterapia. As mãos podem tratar feridas emocionais muito mais profundas que as físicas. O importante é que, em meio tantas crises das mãos, crise de solidariedade, voltem as mãos a ser usadas a favor do ser humano. Numa oração eucarística, Jesus é apresentado tal como a ?mão? que Deus estende aos pecadores e aos desenganados. É a mão que aplaca as tempestades dos mares da vida, que afaga as frontes dos pequeninos, que toca o filho da viúva de Naim e faz retorná-lo à vida. Ainda hoje, continua Cristo a acarinhar, a enxugar lágrimas, a partir o pão, a ajudar, a curar... com nossas mãos postas à sua disposição. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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