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Nº 5713
Opinião

O saber...

GILBERTO DE MACEDO (*) Belo é o saber!, pois ilumina o espírito, enriquece a inteligência, eleva os sentimentos, motiva a imaginação, fecunda o pensamento com novas idéias. Assim engrandece o homem e faz sua sociedade mais admirável. É o caminho da verd

Por | Edição do dia 20/03/2002 - Matéria atualizada em 20/03/2002 às 00h00

GILBERTO DE MACEDO (*) Belo é o saber!, pois ilumina o espírito, enriquece a inteligência, eleva os sentimentos, motiva a imaginação, fecunda o pensamento com novas idéias. Assim engrandece o homem e faz sua sociedade mais admirável. É o caminho da verdade. Este é o seu estágio conclusivo, meta final do processo de construção do conhecimento, processo lógico-dialético que tem origem na formulação de uma hipótese, envolve a verificação e culmina na reflexão que revela a verdade. Por isso, em todos os tempos, mesmo em sociedades nas quais predominem interesses materiais e escusos, o saber sempre conservou uma posição de respeito; um prestigiar dignificante, insuperável e incomparável, luminoso, mesmo cercado de obscurantismo social e político. O saber nunca se deixou contaminar pelas más circunstâncias, conforme nos mostra a história. É assim o sinal mais representativo de civilização, no sentido rigoroso e verdadeiro desta palavra. Na época da civilização grega, foi o saber filosófico puro. Com outras passagens, chegou-se aos tempos modernos, onde as ciências forneceram os seus fundamentos. E aí, embora haja os avanços extraordinários proporcionados pelas ciências psicológicas – com a obra genial de Freud – e pelas neurociências, notadamente com os trabalhos dos cientistas russos (Pavlov e os modernos), o maior progresso foi proporcionado pela Física, a tal ponto que se a denominam “ciência revolucionária”. Isso, tanto pela relevância de suas descobertas, quanto pela transcendência das reflexões filosóficas que sobre as mesmas se têm feito, proporcionando os fundamentos de um novo saber à epistemologia da ciência, um campo de estudos constituído por ricos conceitos que leva a uma nova visão do mundo, desde o infinitamente pequeno dos átomos e sua estrutura, ao infinitamente grande da astrofísica. Desde as pesquisas de Pierre e de Marie Curie sobre a radioatividade às concepções mais profundas e abrangentes. Logo, a teoria da realidade – generalizada e restrita – devida ao gênio de Albert Einstein, que revela nada ser absoluto no universo, senão relativo. E a teoria dos quanta, elaborada por Max Planek a qual comprova que matéria e energia são descontínuas. Notável ainda é a mecânica ondulatória, elaborada por Louis de Broglie, que afirma a complementaridade de matéria e energia, e que em seu livro mais representativo (“Matéria e Luz”) tem uma frase lapidar, que diz da nobreza intelectual desses estudiosos: “Ama-se a ciência, porque é uma grande obra do espírito”. E se tem, não menos importante, a teoria de P. Dirac sobre os elétrons, e, notadamente, o princípio de indeterminação de Werner Heisenberg, que refuta o determinismo no mundo da natureza. Por seu sentido, vale destacar a respeito, a frase de advertência de Heisenberg, de que “... o que nós observamos, não é a natureza em si, mas a natureza exposta a nosso método de observação. Em Física, nosso trabalho consiste, em pôr as questões que concernem à natureza na linguagem que possuímos.” Lição magistral de saber. De ponderação, humildade e simplicidade. E outras concepções que enriquecem o saber, e dizem da grandeza de verdadeiramente grandes homens. Assim, concluindo esta visão preliminar, cuidemos da política do saber, para o aperfeiçoamento do homem e da sociedade. (*) É MÉDICO

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